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Portugueses gastam quase 1.400 euros por ano em saúde e 31% sentem dificuldades em pagar

06 abr, 2026 - 10:50 • Olímpia Mairos

Estudo da Deco Proteste revela que Portugal lidera dificuldades no pagamento de despesas de saúde e que mais de um quarto dos portugueses adia cuidados por falta de dinheiro.

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Um novo estudo da Deco Proteste revela que os portugueses continuam a enfrentar um peso elevado das despesas de saúde no orçamento familiar, com impactos diretos no acesso a cuidados.

Em média, cada família gastou 1.397 euros em saúde no último ano — um valor que exclui seguros — segundo um inquérito realizado em parceria com a Euroconsumers em Portugal, Bélgica, Itália e Espanha.

“Portugal destaca-se como o país onde mais famílias sentem dificuldades em suportar estes encargos”, sublinha a associação de defesa do consumidor, indicando que 31% dos inquiridos admitiram ter dificuldades em pagar despesas de saúde em 2025, a percentagem mais elevada entre os países analisados.

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O estudo mostra que os medicamentos continuam a representar a maior fatia das despesas. Os fármacos com receita médica são referidos por 93% dos participantes, com um custo médio anual de 415 euros, enquanto os medicamentos sem receita são mencionados por 78%, com uma média de 201 euros.

Já os cuidados dentários surgem como a despesa mais pesada, atingindo, em média, 520 euros por ano, e estando presentes em 61% dos agregados. Também os óculos ou lentes de contacto (428 euros) e os cuidados psicológicos e psiquiátricos (463 euros) representam encargos significativos.

Custos elevados levam portugueses a adiar cuidados de saúde

As dificuldades financeiras acabam por refletir-se no acesso à saúde. Segundo o estudo, 27% dos portugueses adiaram, interromperam ou desistiram de cuidados de saúde por falta de dinheiro.

“Quando os recursos são limitados, os consumidores são forçados a priorizar despesas, muitas vezes em detrimento da própria saúde”, alerta a associação de defesa do consumidor.

Entre os cuidados mais frequentemente adiados estão tratamentos dentários, consultas médicas, compra de medicamentos e cuidados oftalmológicos. Mais de metade dos que adiaram cuidados reportam impactos importantes ou muito sérios na saúde e na qualidade de vida.

Na comparação europeia, Portugal apresenta o cenário mais preocupante: enquanto 31% dos portugueses dizem ter dificuldades em pagar despesas de saúde, o valor desce para 27% em Itália, 22% na Bélgica e 16% em Espanha.

Apesar de Itália registar a despesa média mais elevada (1.723 euros anuais), a Deco Proteste sublinha que “a combinação de encargos elevados com rendimentos mais baixos agrava a pressão financeira sobre as famílias portuguesas”.

O estudo evidencia ainda limitações na resposta do Serviço Nacional de Saúde. “Embora universal, o SNS não cobre a totalidade das necessidades, levando os consumidores a suportar custos significativos”, refere a associação, apontando também dificuldades de acesso e tempos de espera prolongados.

Perante este cenário, mais de metade dos portugueses já recorre a seguros ou planos de saúde como alternativa.

Para a associação de defesa do consumidor, os resultados confirmam uma tendência preocupante: “Em Portugal, o acesso à saúde continua fortemente condicionado pela capacidade financeira”, defendendo a necessidade de reforçar a resposta pública e garantir que ninguém tenha de escolher entre cuidar da saúde e suportar as restantes despesas do dia a dia.

O inquérito foi realizado entre junho e setembro de 2025, junto de 1.079 lares portugueses, sendo os resultados representativos da população entre os 18 e os 74 anos. O estudo integrou também consumidores da Bélgica, Itália e Espanha, no âmbito da rede Euroconsumers.

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