Alimentação
Crise alimentar agrava-se e associação exige resposta urgente do Governo
07 abr, 2026 - 15:58 • Olímpia Mairos
Mulheres Agricultoras alertam para custos incomportáveis na produção e risco de abandono agrícola, defendendo medidas rápidas e eficazes para proteger o setor.
A Associação das Mulheres Agricultoras e Rurais Portuguesas (MARP) manifestou profunda preocupação com o agravamento da crise alimentar em Portugal, alertando para a ligação direta entre esta situação, a perda de soberania alimentar e o enfraquecimento do setor produtivo nacional.
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Em comunicado, a associação sublinha que os custos de produção atingiram níveis incomportáveis, com aumentos significativos na energia, combustíveis, fertilizantes e rações, enquanto os preços pagos aos produtores continuam baixos, muitas vezes abaixo do custo real.
“Esta realidade não é um acaso: é a consequência de um modelo injusto que favorece a grande distribuição e penaliza quem produz”, denuncia a MARP.
A organização aponta ainda para uma subida dos preços ao consumidor final, evidenciando uma cadeia alimentar desequilibrada, marcada pela especulação e concentração de poder económico.
“Enquanto os produtores recebem cada vez menos e os consumidores pagam cada vez mais, alguém está a lucrar com esta crise – e não são os agricultores nem as populações”, refere.
“É urgente proteger a produção nacional”
No terreno, a situação é descrita como particularmente grave, com pequenos e médios produtores a enfrentarem dificuldades para continuar a atividade, devido à falta de meios financeiros.
“Sem apoios eficazes e com sucessivos prejuízos, cresce o risco real de abandono forçado da atividade agrícola”, alerta a associação.
A MARP avisa que esse abandono poderá ter consequências profundas, nomeadamente a concentração da terra nas mãos de poucos, o desaparecimento de milhares de produtores, o agravamento das desigualdades no mundo rural e impactos ambientais como o aumento do risco de incêndios, a perda de biodiversidade e a degradação dos solos.
A associação denuncia ainda que os apoios ao setor agrícola e florestal são insuficientes, sobretudo face aos impactos das intempéries recentes e às consequências da guerra nos mercados internacionais.
“Os apoios anunciados revelam-se desajustados à realidade e incapazes de responder à dimensão da crise”, critica.
Perante este cenário, a MARP considera que o Governo deve agir com urgência, defendendo a implementação de medidas adequadas à gravidade da situação.
“É urgente proteger a produção nacional e evitar que o país se torne cada vez mais dependente do exterior”, sustenta.
Entre as principais reivindicações estão a garantia de preços justos à produção, o reforço significativo dos apoios diretos aos agricultores, o combate à especulação, maior transparência na formação de preços, bem como medidas para travar o abandono da terra e políticas que valorizem a produção nacional e a agricultura familiar.
A associação deixa um alerta final: “Sem Agricultura Familiar, sem agricultores, não há alimento, não há território, não há futuro. É urgente agir”.
- Noticiário das 4h
- 18 abr, 2026








