PCP e IL criticam Ana Abrunhosa após autarca retirar confiança a jornalista da Lusa
11 abr, 2026 - 18:07 • Redação
PCP e Iniciativa Liberal condenaram as declarações da presidente da Câmara de Coimbra contra um jornalista da Lusa. Ana Abrunhosa retirou publicamente a confiança ao jornalista João Gaspar, acusando-o de falha deontológica grave. A direção de informação da agência respondeu, classificando as acusações de "descabidas, infundadas e difamatórias".
A presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, gerou uma onda de críticas após atacar publicamente o jornalista João Gaspar, da agência "Lusa", numa reunião do executivo municipal realizada na sexta-feira.
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O episódio teve origem numa notícia sobre a Casa do Cinema de Coimbra, na qual o jornalista deu conta das preocupações do coordenador do espaço, Tiago Santos, quanto ao risco de perda de licença por falta de avanço num plano de reabilitação acordado com o município.
A "Lusa" pediu esclarecimentos ao executivo, mas não obteve resposta. Ao fim de nove dias, e apenas após insistência pessoal junto da responsável de comunicação da autarquia, João Gaspar publicou a peça.
Na reunião camarária, Abrunhosa declarou ter "falta de confiança" no jornalista, que segundo a autarca "não reporta a verdade" e "enviesa" os comentários do município. Classificou a publicação da notícia sem a resposta da câmara como uma falha grave.
"Considero que é uma falha deontológica grave. Todos nós, políticos, somos escrutinados e parece que a comunicação social não pode ser escrutinada", afirmou Ana Abrunhosa, acrescentando que "se o jornalista quer fazer política deve entregar a carteira de jornalista".
A direção de informação da "Lusa" reagiu ainda na sexta-feira com uma carta dirigida à autarca, repudiando as acusações. Em nota posterior, reiterou a confiança no jornalista, cujo percurso foi descrito como "irrepreensível", e sublinhou que João Gaspar "se limitou a fazer uma notícia", cumprindo os procedimentos deontológicos. O jornalista foi, entretanto, retirado da lista de destinatários das comunicações da câmara.
O PCP foi um dos primeiros partidos a reagir, condenando "a tentativa de condicionamento do livre exercício do jornalismo".
Os comunistas assinalaram que o episódio revela, da parte de Abrunhosa, "traços de prepotência e dificuldade em lidar com a crítica", tanto mais que a própria autarca admitiu não ter respondido às perguntas do jornalista.
A Iniciativa Liberal de Coimbra foi mais longe nas críticas, classificando o comportamento da presidente como "inaceitável, intimidatório" e uma "ameaça direta à liberdade de imprensa".
O partido defendeu que "um jornalista não precisa da confiança política de ninguém para desempenhar as suas funções" e exigiu que Abrunhosa se retrate publicamente.
- Noticiário das 0h
- 12 jun, 2026







