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“O dinheiro não chega para pagar as contas”, alerta Associação Nacional de Cuidados Continuados

15 abr, 2026 - 15:48 • Isabel Pacheco

Associação Nacional de Cuidados Continuados lamenta “ter ficado de fora” da lei das finanças para o setor social e avisa que corre o risco de “colapso total” devido ao subfinanciamento do Estado.

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Mais duas unidades de cuidados continuados fecharam portas na região de Lisboa. A denúncia é feita pela Associação Nacional dos Cuidados Continuados (ANCC), que alerta para um possível agravamento da situação até ao final do ano devido ao subfinanciamento do Estado.

“Não tenho dúvidas nenhumas que, até ao final do ano, irão fechar mais umas quantas e desconfio para o ano será o colapso total. A continuar assim, as unidades simplesmente não aguentam”, alertou, esta quarta-feira, o presidente da ANCC, José Bourdain.

De acordo com o responsável, em causa está a comparticipação do Estado que não acompanha o aumento dos custos.

O Estado vai “aumentando os custos através dos salários e do custo de vida, mas depois não atualiza os preços. Para nós, o dinheiro não chega para pagar as contas”.

“As unidades vão morrendo aos poucos, vão fechando as portas aos poucos”, queixa-se José Bourdain lamentando que as unidades de cuidados continuados “tenham ficado de fora” da lei das finanças para o setor social que prevê a atualização automática dos preços.

Em 2025, e de acordo com ANCC, o financiamento do estado foi atualizado na “ordem dos 2%”. Um valor que o responsável considera “ridículo” e “muito curto” perante as necessidades.

“Este ano ainda não foi atualizado e nem sei se virá a ser”, indica. “Em anos passados, nomeadamente, durante a pandemia e, até antes da pandemia, simplesmente os preços não foram atualizados. Entre 2011 e 2019, os preços ficaram congelados. Foram 8 anos congelados”, lembra o presidente da ANCC que defende a atualização do valor do financiamento por parte do governo na ordem dos 15% para compensar os anos passados sem atualizações.

“Só para repor o aumento de custos deste ano estamos a falar na ordem dos 6% de aumento dos preços. Mas, como há um défice enorme para trás, esse aumento deveria ser na ordem dos 15 a 20%”, defende o responsável.

No final de 2025, a ANCC dava conta do encerramento de uma centena de camas em janeiro. Em março, foram mais de 60 camas que fecharam em duas unidades na região de Lisboa.

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