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​Vai alugar casa nas férias? Atenção: GNR deteta aumento de burlas

15 abr, 2026 - 07:00 • Liliana Monteiro

Burlões criam ofertas que são verdadeiros “milagres”. No último ano, foram detetadas cerca de 500 casos mais, em relação a 2024. Houve mais de 19 mil vítimas. Maioria dos burlões é do Porto, Braga, Faro e Leiria.

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Aumentaram as burlas com casas para alugar. As burlas com casas de férias e vendas online estão entre as mais detetadas pela GNR em 2025.

“Estamos a falar de casas de aluguer para férias. Os burlões aproveitam-se do sentimento de urgência das pessoas em marcar férias à última hora. Faz-se uma pesquisa na internet, surgem preços apelativos e a pessoa acaba por tomar decisões menos cautelosas. Esta é uma situação de burla muito frequente”, explica o porta-voz da GNR, o tenente coronel Carlos Canatário.

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O tema das burlas, cibercrime e esquemas fraudulentos é discutido na edição desta semana do "Direito à Justiça", um podcast da Renascença em parceria com a Ordem dos Advogados.

Em 2024, registaram-se 3.369 crimes de burla na aquisição ou aluguer de bens móveis. Em 2025, esse número subiu para 3.842.

No total, registaram-se 18.523 crimes de diferentes tipos de burla, um aumento de 2,81% (+506) relativamente ao ano de 2024.

Nos locais com mais registo de crimes, destacam-se os distritos do Porto, Setúbal e Lisboa com mais de dois mil registos cada. As maiores subidas ocorreram em Leiria (+134) e Santarém (+97) e a maior diminuição no distrito de Faro (-140).

Mas há mais: as compras e vendas online têm sido um dos principais meios para enganar e lesar muitas pessoas.

“Temos inúmeras situações de compra e venda de bens online. As pessoas são contactadas com propostas e informadas de que o pagamento será feito através de plataformas digitais. Acabam por ser enganadas. Os alegados compradores pedem determinados códigos e, em vez de receberem um pagamento, estão a permitir um levantamento de dinheiro. É importante que as pessoas percebam que isto pode acontecer, especialmente quando não dominam estas ferramentas”, alerta Carlos Canatário.

Durante o ano de 2025, foram identificados 11.113 suspeitos, dos quais 47 foram constituídos arguidos, 65 acabaram detidas (45 homens e 20 mulheres) menos 41 que em 2024. A maioria é distrito do Porto, Braga, Faro e Leiria. Em matéria de idades, os detidos têm na sua maioria entre os 30 e os 50 anos.

Ainda em 2025, foram identificadas 19.332 vítimas, a maioria nos distritos do Porto, Setúbal, Lisboa e Faro. A maioria das vitimas é so sexo masculino. Já quanto às idades dos alvos, começam antes dos 12 anos, com maior percentagem entre os 40 e os 64 anos.

Relativamente ao 'modus operandi' mais utilizado, verifica-se, à semelhança do ano anterior, através do ato de compra/venda (2.580), publicações nas redes sociais (2.019) e em terceiro lugar, através da aplicação MB WAY (1.518).

Desconfiar e “ter um pé atrás”

A GNR aconselha: “Devemos ter sempre um pé atrás quando nos oferecem alguma coisa. É importante manter o subconsciente alerta, sobretudo quando a oferta toca numa necessidade imediata — é aí que o alerta deve ser reforçado.”

Já a PJ deixa um apelo ao mundo empresarial: “Desconfiem sempre quando há pedidos de fornecedores para pagamentos para outro IBAN ou conta”, alertando que “quando um hacker acede aos sistemas — que estão frequentemente interligados — e se for usada a mesma palavra-passe para tudo, o trabalho fica facilitado. A mudança regular de palavra-passe é fundamental.”

O coordenador de Investigação criminal da Unidade de Combate ao Cibercrime, José Ribeiro, sublinha ainda no podcast Direito à Justiça que “quando há exfiltração de informação — o que temos de mais rico hoje —, são os dados da empresa que desaparecem, e sem eles a empresa pode deixar de funcionar.”

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