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Mais de 20 cirurgiões do IPO do Porto entregam escusas de responsabilidade

16 abr, 2026 - 08:16 • Jaime Dantas

Em causa estará a gestão ineficaz dos horários “durante a noite, aos fins de semana e aos feridados nas especialidades de Urologia e Otorrinolaringologia”, o que leva a que cirurgiões sejam chamados a operar doentes fora da sua área clínica.

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Alegando a segurança dos doentes, 23 cirurgiões do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto entregaram, nas últimas duas semanas, escusas de responsabilidade, por estarem a ser chamados a operar doentes fora da sua especialidade clínica.

A denúncia é feita esta quinta-feira pelo Sindicato de Médicos do Norte (SMN), depois da administração da instituição não ter prestado “nenhuma resposta aos cirurgiões”.

Em causa estará a gestão ineficaz dos horários “durante a noite, aos fins de semana e aos feridados nas especialidades de Urologia e Otorrinolaringologia”, revela à Renascença a responsável sindical Joana Bordalo e Sá.

Nestes horários, costuma ser praticado um piquete para o qual os médicos destas especialidades não estarão a ser chamados.

“Noutras áreas cirúrgicas, estes médicos estão em prevenção e se houver alguma questão com estes doentes que eles próprios operam, vão à instituição dar apoio. No caso dos doentes operados pela urologia e pela otorrinolaringologia, não beneficiam do mesmo apoio”, desenvolve Bordalo e Sá.

A sindicalista garante ter já “questionado o Conselho de Administração, assim como fez um apelo ao Ministério da Saúde, à Direcção Executiva e à própria Inspeção Geral das Atividades em Saúde para que esta situação seja resolvida com urgência”.

Joana Bordalo e Sá garante que as escusas entregues não representam “uma recusa para trabalhar” e sublinha que “um cirurgião geral não é um urologista nem um otorrinolaringologista, são áreas distintas com competências muito diferentes” pelo que a “segurança dos doentes está em causa”.

Em comunicado enviado à Renascença, o IPO do Porto alega que não deram entrada quaisquer pedidos de escusa, tendo sido recebidas apenas "declarações de exercício sob reserva técnica".

A instituição esclarece que "nenhum hospital do SNS dispõe de todas as especialidades médicas em permanência" e acrescenta que o modelo aplicado vigora "desde sempre e nunca colocou em causa a segurança dos doentes".

A única exceção, termina o Instituto Português de Oncologia do Porto, são "as especialidades de Cirurgia Torácica e de Neurocirurgia, em razão do perfil de risco clínico específico dos seus doentes internados".

[Notícia atualizada às 12h46 com o esclarecimento do Instituto Português de Oncologia do Porto]

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