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Crime

Prisão preventiva para homem que atirou cocktail molotov contra Marcha Pela Vida

16 abr, 2026 - 12:01 • Lusa

O suspeito, militante do Partido Socialista (PS), já tinha sido detido pela PSP, por posse de arma proibida, no dia da manifestação contra o aborto, que decorreu a 21 de março.

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O homem detido na quarta-feira por infrações terroristas por ter alegadamente atirado um "cocktail molotov" contra a Marcha Pela Vida, em março, vai aguardar o desenrolar do processo em prisão preventiva, decidiu esta quinta-feira o tribunal.

A informação foi prestada à Lusa por fonte judiciária, tendo a medida de coação sido aplicada pelo Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa.

O homem, de 39 anos, foi detido na quarta-feira pela Polícia Judiciária (PJ), por "tentativa da prática dos crimes de infrações terroristas", posse de arma proibida, incêndio, explosão e "outras condutas especialmente perigosas e de ofensas à integridade física", anunciou então o órgão de investigação criminal.


O suspeito, militante do Partido Socialista (PS), já tinha sido detido pela PSP, por posse de arma proibida, no dia da manifestação contra o aborto, que decorreu a 21 de março, com final na Assembleia da República, em Lisboa, tendo na altura sido libertado pelo tribunal, obrigado a apresentar-se diariamente na esquadra.

A investigação transitou posteriormente para a PJ, que, após "dezenas de diligências para obter meios de prova", executou na quarta-feira o mandado de detenção e outro de busca e apreensão, no âmbito do qual foram apreendidos "diversos elementos denunciadores de um móbil ideológico".

Suspeito vai recorrer apesar de admitir que conduta "é muito censurável"

A defesa do suspeito vai recorrer da medida de coação, anunciou o advogado do arguido.

Numa declaração escrita remetida à Lusa, Ricardo Sá Fernandes admite que a conduta do seu cliente "é muito censurável", o que o próprio reconhece, mas sublinha que a ação não tem a "conotação ideológica" nem as "intenções concretas" que lhe têm sido atribuídas.

Hoje, a defesa do arguido considerou que entre março e esta semana "não há nada de relevante e novo, a não ser a enorme pressão mediática a que" o caso "foi submetido".

"Quando os tribunais atendem a essa pressão, é a Justiça que sofre, o que lamento que tenha acontecido", afirmou.

Um "cocktail molotov" é um engenho incendiário artesanal fabricado com uma garrafa de vidro, líquidos inflamáveis e um pano embebido no mesmo combustível.


O homem não participava no protesto e terá atirado um "cocktail molotov" com gasolina na direção dos manifestantes, referiu na altura, numa nota, a PSP.

O engenho incendiário não deflagrou, mas gerou "um clima de alarme e perturbação no local", tendo algumas pessoas sido atingidas pelo líquido inflamável.

No momento do arremesso, participavam na Marcha Pela Vida cerca de 500 pessoas, incluindo crianças.

O homem foi suspenso preventivamente pelo PS, anunciou na quarta-feira o partido, acrescentando que, "a confirmarem-se os factos poderá ser aplicada a expulsão" ao militante socialista.

"O PS não pactua com nenhum tipo de violência e considera absolutamente intolerável qualquer ato que possa consubstanciar um comportamento desse tipo", concluiu o partido.

[Notícia atualizada às 15h40 de 16 de abril de 2026 para acrescentar que a defesa do suspeito vai recorrer da decisão]

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