Pacote laboral. CGTP ameaça com nova paralisação
17 abr, 2026 - 22:10 • Marisa Gonçalves
Milhares de pessoas desfilaram contra as alterações ao código laboral, em Lisboa.
O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, considerou a manifestação desta sexta-feira como "uma grande ação nacional de luta e uma das maiores manifestações dos últimos tempos".
E avisou que a possibilidade de uma nova paralisação não está descartada.
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Milhares de trabalhadores desfilaram, esta tarde, desde o Saldanha até à Assembleia da República, em dia de greve da função pública, contra a reforma do pacote laboral.
Tiago Oliveira avisou que a possibilidade de uma nova paralisação não está descartada. "Foram muitos milhares de trabalhadores que encheram as ruas de Lisboa, no dia de hoje. Não há como esconder. Está aqui a voz dos trabalhadores, a ambição, os problemas e as exigências de quem trabalha. Todas as formas de luta estão em cima da mesa, sempre o dissemos, incluindo elevar o patamar da luta rumo à greve geral. Quanto maior o ataque, maior será a resposta dos trabalhadores, não tenhamos dúvidas disso", disse.
O líder da CGTP considerou ainda que "é o Governo que tem de olhar para o que se passou hoje, pôr a mão na consciência e ver que não é isso que os trabalhadores querem para a sua vida".
Tiago Oliveira voltou a acusar o Governo de "prepotência" nestas negociações.
"Quem durante estes dois anos de mandato tem seguido a política que tem seguido e apresenta este pacote laboral ao país e aos trabalhadores, das duas uma, ou tem interesses e objetivos por detrás, ou não faz a mínima ideia do que custa a vida a quem trabalha", afirmou Tiago Oliveira.
"No passado, não há nada que se compare com a forma como este Governo está a conduzir este processo. Afastar a maior central sindical do país, indo contra os valores inscritos na Constituição, que cabe aos sindicatos e organizações sindicais participarem na construção da legislação laboral, e ter a desfaçatez de seguir este caminho antidemocrático e anticonstitucional, é porque o objetivo é o de responder aos mesmos de sempre", declarou.
O secretário-geral da intersindical acrescentou que não haverá processos válidos sem o aval da CGTP, nem sem o acolhimento das reivindicações dos trabalhadores.
"Tentar afastar os trabalhadores e as suas organizações representativas da discussão sobre o pacote laboral e, à socapa, fingir que existe abertura para discutir, quando o que querem é tornar a legislação laboral ainda pior, demonstra bem com quem estamos a lidar", afirmou Tiago Oliveira.
Tiago Oliveira disse ainda aguardar por uma resposta a um pedido de audiência com o Presidente da República, António José Seguro, considerando que o Chefe de Estado "deve fazer cumprir a Constituição, especialmente quando está em causa um atropelo aos trabalhadores", admitindo a expectativa de um eventual veto presidencial, no caso de o anteprojeto ser aprovado no Parlamento.
O protesto desta sexta-feira contou com a presença de deputados do PCP, BE e Livre.
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, reiterou que a reforma do código laboral não serve o país.
"As medidas não alteram nenhum aspeto negativo que já hoje existe na lei laboral. Só vêm acrescentar ainda mais problemas e mais dificuldade para quem trabalha, para quem quer criar riqueza e pôr o país a funcionar. Isso é inadmissível. Com o aumento brutal do custo de vida, com os salários a ficarem cada vez mais curtos, os trabalhadores e o país não precisam deste pacote laboral. Precisam sim de estabilidade, direitos, salários e respeito. Este é um grande sinal e uma grande resposta", acrescentou Paulo Raimundo.
- Noticiário das 18h
- 18 jun, 2026








