Educação
Falta de perspetivas de chegar ao Superior explica queda a pique da taxa de conclusão do Secundário
20 abr, 2026 - 07:20 • João Cunha , André Rodrigues
A taxa de conclusão diminuiu cerca de 11% face ao ano anterior. Presidente da ANDAEP diz que existe "uma classe desfavorecida que podia aceder ao ensino superior e não consegue".
[Atualizado às 8h15]
O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima, diz que há muitos alunos "sem perspetivas" para chegar ao ensino superior.
Em declarações à Renascença, Filinto Lima apela a que se ajude "uma classe desfavorecida que podia aceder ao ensino superior e não consegue".
"O Estado não pode desfazer os sonhos das pessoas que têm menos posses económicas", sublinha.
As declarações do presidente da ANDAEP surgem em reação ao facto de o número de alunos que concluíram o secundário em 2025 ter caído e voltado a níveis pré-pandemia.
De acordo com um estudo da Secretaria de Estado do Ensino Superior, ao qual o jornal "Público" teve acesso, a taxa de conclusão do ensino secundário ajuda a explicar a quebra de candidatos ao ensino superior.
A taxa de conclusão diminuiu cerca de 11% face ao ano anterior, contudo não é a única razão por trás da diminuição de candidatos à universidade.
De acordo com o estudo "Quebra de Ingressos no Acesso ao Ensino Superior em 2025/26 - Diagnóstico, Evidência e Análise", realizado pelo gabinete da secretária de Estado do Ensino Superior, a redução do número de colocados pode explicar-se também com a diminuição das notas obtidas nos exames nacionais.
Em 2017/18 e 2018/19, existiam cerca de seis mil diplomados do ensino secundário com apenas uma positiva no exame nacional. Caso se aplicasse a regra de duas provas mínimas nesse período, estes diplomados estariam excluídos de se candidatarem ao ensino superior.
Entre 2019/20 e 2023/24, em que não se exigiu qualquer exame nacional para completar o secundário, entre 3.100 e 6.300 alunos tiveram uma nota positiva nos três ou quatro exames nacionais que realizaram.
Com a exigência da realização de uma prova, este grupo poderia candidatar-se; com a exigência das duas provas, ficariam excluídos.
Ainda assim, o relatório sublinha que não é possível concluir que a redução na taxa de conclusão do ensino secundário se ficou a dever exclusivamente à alteração do número mínimo de exames nacionais.
- Noticiário das 18h
- 15 jun, 2026








