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Mais de metade dos estudantes da Universidade de Lisboa já ponderaram desistir do curso

05 mai, 2026 - 20:55 • Fátima Casanova

Um estudo da Associação Académica sobre a saúde mental dos universitários revela que 40% sentem ansiedade frequentemente e que as dificuldades financeiras afetam psicologicamente os estudantes, especialmente os deslocados e os bolseiros.

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Um total de 56% dos estudantes já ponderaram abandonar o curso, um número que sobe para os 60% no caso dos estudantes-bolseiros, revela um estudo sobre saúde mental da Associação Académica da Universidade de Lisboa (AAUL), apresentado esta terça-feira.

Em declarações à Renascença, Gonçalo Osório de Castro, presidente da AAUL, diz que os estudantes alegam que estão “esgotados psicologicamente” e que “todos os problemas abordados no inquérito são exacerbados quando falamos dos estudantes bolseiros”.

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Entre os problemas, enumerados pelo presidente da AAUL estão “a crise habitacional, as dificuldades financeiras e a questão das práticas pedagógicas, que muitas vezes são desadequadas, são antiquadas”.

Este dirigente universitário afirma mesmo que “a crise habitacional é, neste momento, o principal problema no acesso ao ensino superior e na sua permanência”.

Ao salientar que na Universidade de Lisboa, 40% dos alunos são deslocados, o presidente da AAUL denuncia que estes estudantes “vivem em casas que são arrendadas sem recibo, portanto, podem ser despejados de um dia para o outro, ou seja, há uma incerteza latente neste momento na frequência do ensino superior”.

4 em cada 10 estudantes sentem ansiedade frequentemente

Gonçalo Osório de Castro elege as questões financeiras como o principal problema a afetar a saúde mental dos universitários, salientando que “a crise de rendimentos que os estudantes enfrentam neste momento, tem um impacto grave nas questões de saúde mental é, aliás, o principal problema”.

O presidente da AAUL destaca que “há aqui conclusões que preocupam, por exemplo, uma das perguntas que nós fizemos é com que frequência é que os nossos estudantes sentiam crises de ansiedade, e 40% referem sentir crises de ansiedade frequentemente”, enquanto 3% referem que se sente sempre ansioso e apenas 5% nunca se sentiram ansiosos.

O inquérito divulgado pela AAUL revela ainda níveis elevados de desmotivação (92%), isolamento (51%), dificuldade em dormir (75%), enquanto evidencia o peso da precariedade financeira no desempenho dos universitários.

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