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“Devem de ser introduzidas melhorias nos testes para o acesso à PSP”, diz psicólogo forense

06 mai, 2026 - 22:48 • Marisa Gonçalves

O caso de violência policial na esquadra do Rato, em Lisboa, vem levantar questões relacionadas com a formação e o processo de recrutamento de novos polícias. Sindicato do setor diz que é preciso perceber o que está a falhar para "mitigar danos".

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O psicólogo forense Mauro Paulino defende melhorias nos testes psicotécnicos atualmente realizados no concurso para a admissão de novos agentes da PSP.

Na sequência do caso de alegada tortura e violação na esquadra do Rato, o psicólogo afirma à Renascença que é possível introduzir adaptações, à luz de algumas práticas que já se desenvolvem noutros países.

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“Internacionalmente há normas específicas para forças de segurança e alguns países têm instrumentos específicos para avaliar candidatos em contexto policial, com escalas muito relacionadas com a atividade. Vão desde questões de integridade, honestidade, de relação com o público e de produtividade, para além daquilo que são escalas clínicas e que acabam por estar inseridas nestes instrumentos que já existem em Portugal. Diria que temos de adaptar instrumentos que já existem, por outro lado, temos de adaptar instrumentos que são específicos para a realidade das forças de segurança”, diz.

Mauro Paulino especifica que, face à prática de comportamentos desviantes numa força de segurança, deveria agora ser possível fazer uma análise retrospetiva dos resultados dos candidatos nas provas de acesso à profissão.

"Se as coisas estivessem devidamente estruturadas e existisse vontade política e institucional de identificar potenciais erros e de querer introduzir melhorias, aquilo que se poderia fazer era uma análise retrospetiva do processo de seleção destes polícias. Serviria para perceber o que havia nos seus perfis de respostas, nos seus resultados, e perceber se houve efetivamente alguma informação ou algum alerta que poderia ter sido valorizado e que, de alguma forma, não se levou em linha de conta", avança Mauro Paulino.

O especialista em psicologia clínica e forense entende que o caso da esquadra do Rato abre uma oportunidade para adaptar novos inventários de avaliação de personalidade nas forças de segurança.

“Há publicações sobre isso, a nível mundial, que demonstram a importância desse inventário não apenas para a seleção das forças de segurança, mas também para as questões relacionadas com o suicídio nas forças de segurança”, afirma Mauro Paulino.

“Foi o tema central da minha tese de doutoramento e eu apresentei o projeto quer à PSP quer à GNR e nenhuma delas autorizou a utilização desse instrumento, no âmbito de uma investigação científica aprovada por uma comissão científica de uma faculdade. Portanto, isto demonstra a importância que as entidades dão ao contributo que a psicologia pode dar em contexto de seleção de candidatos”, acrescenta o psicólogo.

Paulo Santos, presidente da ASPP, Associação Sindical dos Profissionais da Polícia, também afirma que é preciso refletir sobre o processo de recrutamento na PSP.

"Temos de perceber o que falhou. Se o processo de seleção está a ser o adequado, se o que se faz em termos de baterias no Gabinete de Psicologia está a responder a estes desafios, se os candidatos estão sujeitos a tudo o que é necessário para poderem entrar. Temos de perceber se, nas esquadras, no dia a dia, a supervisão, a presença do graduado de serviço está a acontecer. Podemos mitigar danos e evitar situações futuras se melhorarmos no campo da formação, seleção e recrutamento”, aponta Paulo Santos à Renascença.

Paulo Santos insiste que o caso das alegadas torturas na esquadra do Rato não representa o trabalho nem a dedicação dos profissionais da polícia, embora admita que afeta a imagem da instituição.

Na leitura do ex-ministro da Administração Interna Eduardo Cabrita, os acontecimentos agora divulgados inserem-se num “quadro de tendências na sociedade portuguesa de radicalização e banalização de comportamentos relativamente a setores frágeis da sociedade e que afetam também aqueles que servem as forças de segurança”.

Enquanto tutelou a pasta, Eduardo Cabrita anunciou a criação, em cada força de segurança, de um oficial de direitos humanos. A medida integrava o Plano de Prevenção de Manifestação de Discriminação nas Forças de Segurança, apresentado em 2021.

“Não se tem ouvido falar dessa figura. Quer o diretor nacional da PSP quer o comandante-geral da GNR devem pedir que desenvolvam, para cada força, um plano de ação. Não estamos a falar de um caso isolado. Estamos a falar de um caso que envolve dezenas de elementos. É preciso olhar para o futuro com especial atenção nas ações de recrutamento”, alega Eduardo Cabrita, em declarações à Renascença.

Esta quinta-feira devem arrancar os interrogatórios aos 15 polícias e a um civil detidos ontem, no âmbito da investigação ao caso de violência policial na esquadra do Rato, em Lisboa.

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