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Jovens rurais querem ficar nas suas terras, mas falta de transportes e emprego continua a afastá-los

07 mai, 2026 - 10:31 • Olímpia Mairos

Relatório europeu coordenado pelo investigador do CIS-Iscte Francisco Simões defende mais mobilidade, serviços públicos eficazes e oportunidades para fixar população jovem nas zonas rurais.

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Quase 80% dos jovens das zonas rurais europeias querem viver, estudar ou trabalhar nos seus territórios de origem ou nas proximidades, mas defendem melhores condições de mobilidade, emprego e acesso a serviços públicos para conseguirem permanecer nessas regiões.

As conclusões constam do relatório “Here to stay? The transitions of rural youth before and after the Covid-19 pandemic”, elaborado pela Youth Partnership — parceria entre o Conselho da Europa e a Comissão Europeia — sob coordenação científica de Francisco Simões, investigador do Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS-Iscte).

Segundo o estudo, os jovens rurais exigem “uma rede de transportes minimamente eficaz, serviços de educação com qualidade para os seus filhos e mais oportunidades de participação cívica”, além de mecanismos que facilitem o acesso a empregos geralmente concentrados em áreas urbanas.

Direito a ficar nas terras de origem

É fundamental que a União Europeia crie condições para que os jovens possam fixar-se nos seus territórios de origem, sem serem forçados a emigrar por falta de oportunidades”, afirma Francisco Simões.

O investigador acrescenta que “este relatório é um contributo para o debate europeu sobre o ‘direito a ficar’, um dos eixos prioritários da política da Comissão Europeia”.

Entre os principais obstáculos identificados está a mobilidade. De acordo com o relatório, “ter viatura própria foi considerado pelos inquiridos como o elemento mais importante para encontrar trabalho”, entre 14 fatores avaliados sobre emprego.

Carsharing e carpooling como solução

Para responder a essa necessidade, os autores defendem a criação de sistemas de carsharing (aluguer de curta duração de frotas) e carpooling (partilha de boleias/despesas) nas áreas mais remotas.

Além de reduzirem o isolamento das populações jovens, estas opções são mais sustentáveis e menos dispendiosas”, sublinha Francisco Simões.

O relatório mostra ainda que os jovens rurais estão hoje mais qualificados do que no passado, com maior frequência do ensino superior. Ainda assim, o acesso ao mercado de trabalho continua fortemente dependente de redes informais de apoio.

Segundo os dados do estudo, apenas 18% dos jovens rurais recorre aos serviços públicos de emprego.

Serviços móveis de apoio ao emprego

Por isso, os investigadores propõem a criação de estruturas móveis de apoio ao emprego, semelhantes às existentes na Bulgária, operadas por municípios ou associações locais em articulação com centros de emprego.

Apoiar no processo de procura de emprego e encaminhar os candidatos das zonas rurais para ofertas adequadas ao seu perfil” são algumas das funções atribuídas a estes gabinetes móveis, refere o relatório.

O estudo conclui também que a falta de oferta cultural não é o principal motivo de afastamento dos jovens das zonas rurais. Os inquiridos demonstraram preferência por atividades ao ar livre em detrimento de espaços culturais tradicionais, como teatros.

Jovens mais qualificados, mas menos numerosos

A investigação analisou a transição para a vida adulta de jovens entre os 18 e os 30 anos, em 14 países europeus, entre 2019 e 2023, avaliando áreas como educação, emprego, mobilidade, participação cívica, cultura e lazer.

Apesar dos progressos registados, como o aumento da participação no ensino superior e a redução da taxa de jovens NEET — que não estudam, não trabalham nem frequentam formação —, o relatório alerta para “um declínio acentuado da população jovem nas zonas rurais”, bem como para níveis elevados de desemprego e baixa participação cívica.

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