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Azeredo Lopes

Trump não vai "chamar" a China ao conflito do Irão para não mostrar fraqueza

13 mai, 2026 - 05:17 • Alexandre Abrantes Neves , Rita Vila Real

"A China assiste a esta situação de tensão, que, no essencial, a favorece porque coloca os Estados Unidos numa posição difícil", diz o antigo ministro da Defesa. Já na questão da Ucrânia, haverá proximidade entre Trump e Xi Jinping, que se encontram esta quarta-feira em Pequim.

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O antigo ministro da Defesa Azeredo Lopes acredita que o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping não vai desbloquear avanços no conflito do Médio Oriente.

"A China assiste a esta situação de tensão, que, no essencial, a favorece porque coloca os Estados Unidos numa posição difícil", diz o antigo ministro à Renascença, nesta quarta-feira em que o Presidente dos Estados Unidos chega a Pequim, para uma visita de três dias.

Azeredo Lopes valida, assim, a tomada de posição de Trump que disse não precisar da ajuda do líder chinês para chegar a um acordo com o Irão.

"Se Donald Trump insistir muito na tecla de que precisa da China para acabar com o conflito, está a provar a sua fraqueza", reforça Azeredo Lopes, detalhando que, desse modo, Trump estaria "a exprimir uma debilidade em que necessita do seu adversário estratégico mais importante para vencer um adversário muito menos estratégico e, queiramos ou não, infinitamente menos importante".

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As elevadas tarifas comerciais em vigor entre as duas potências poderão ser "uma das dimensões mais importantes da estratégia dos dois países para esta reunião", aponta Azeredo Lopes. O domínio comercial pode ser essencial "para anunciar uma vitória sobre o outro, através de uma redução recíproca do que até agora têm sido instrumentos manifestamente lesivos do comércio internacional".

Azeredo Lopes acredita que a guerra na Ucrânia seja "um dos raros pontos" em que Trump e Xi Jinping vão coincidir: a favor de "uma saída razoavelmente airosa para a Rússia", numa tentativa de mostrar, por parte das potências, "uma intervenção muito importante no regresso à paz neste conflito".

O antigo ministro refere, também, que tanto a China como os Estados Unidos poderão ter interesse em afastar a Europa enquanto fator decisivo na paz na Ucrânia: "Não me parece que nem a China nem os Estados Unidos tenham interesse em que a União Europeia apareça de facto como a grande vencedora de um conflito que muitos davam como perdido."

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