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Ensino Superior

Conselho dos Politécnicos. "Precisamos de resolver o subfinanciamento para não perder competitividade"

14 mai, 2026 - 23:52 • José Pedro Frazão

O líder do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos comenta o estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, que conclui que tirar um curso superior gera ganhos salariais significativos, mas implica custos para as famílias acima da média europeia num quadro de fraco investimento público.

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O presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos denuncia que o ensino superior tem sido o "parente pobre" do investimento público na educação, comparando com o básico e secundário.

Em declarações ao programa Da Capa à Contracapa da Renascença, que vai para o ar na próxima terça-feira, Luis Loures adverte que o subfinanciamento obriga as instituições a usar a criatividade para pagar as suas despesas correntes, incluindo 30% das despesas com salários que não cobertos pelo Orçamento do Estado.

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"Só instituições que são estupidamente sustentáveis podem ser estupidamente criativas. Quem não é sustentável do ponto de vista financeiro tem que primeiro encontrar formas de pagar as contas. É um problema que o ensino superior português atravessa e é muito importante que se resolva, porque senão corremos o risco de perder muita da nossa competitividade", alerta o líder do Conselho que coordena os politécnicos, numa edição do Da Capa à Contracapa em torno do estudo "Ensino Superior e Emprego Jovem em Portugal", agora publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Uma das recomendações do estudo aponta para a necessidade de financiamento suficiente para bolsas de estudo por carência económica. Luís Loures, também presidente do Politécnico de Portalegre, elogia o sistema de bolsas revisto pelo Ministério da Educação, se este for eficiente como propõe a tutela.

"É um sistema positivo e progressivo, que permite, pela celeridade que pelo menos nos foi transmitida, que [responder a] estes custos que o estudo apresenta", afirma o líder do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos.

Embora o estudo agora publicado não inclua o cálculo de custos com habitação, Luis Loures considera que as despesas que os alunos enfrentam à entrada do ensino superior são um fator dissuasor do acesso a estes graus de escolaridade.

O estudo propõe ainda a calibragem cuidadosa dos ajustes nas propinas, acompanhadas de ajudas financeiras que evitem a exclusão de grupos vulneráveis. O presidente do Conselho dos Politécnicos compreende o aumento de propinas anunciado para o próximo ano letivo, mas alerta para a necessidade de proporcionalidade face aos rendimentos.

"Consigo perceber perfeitamente a posição da tutela em aumentar o valor das propinas em 13 euros. Estão a passar uma mensagem, porque efetivamente podemos colocar a questão na lógica da justiça social. Não faz sentido que as propinas sejam iguais para alguém que está no primeiro nível do escalão de IRS e para quem está no décimo. Para uma família da classe média-alta porventura não faz sentido pagar 697 euros de propinas máximas. Mas esse valor, para a grande maioria das famílias, tem um peso", reconhece Luís Loures, na Renascença.

Os investigadores recomendam ainda a avaliação da viabilidade de um sistema de empréstimos aos alunos, indexado aos rendimentos. Luís Loures diz que esta medida não é a melhor para o sistema português neste momento.

"Já temos uma classe jovem que tem dificuldade de sair da casa dos pais, de pagar a sua casa e de se fixar de forma independente. Não me parece que esta seja a melhor solução neste momento, ao colocar sobre esses jovens a 'espada' do pagamento de mais uma fração pela sua formação", contrapõe o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos.

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