OPERAÇÃO “TORRE DE CONTROLO II”
PJ faz buscas à casa do cunhado de Leitão Amaro em investigação sobre helicópteros de combate a incêndios
14 mai, 2026 - 10:05 • Olímpia Mairos
Investigação da Polícia Judiciária centra-se em suspeitas de corrupção e favorecimento em concursos públicos para meios aéreos de combate aos incêndios, num alegado esquema que poderá ter causado prejuízos milionários ao Estado.
A Polícia Judiciária (PJ) está a realizar, esta quinta-feira uma operação de buscas no âmbito de uma investigação por suspeitas de corrupção relacionadas com concursos públicos para o aluguer de helicópteros de combate a incêndios. Entre os alvos está Ricardo Leitão Machado, cunhado do ministro da Presidência, António Leitão Amaro. A informação foi avançada inicialmente pelo canal NOW e confirmada, entretanto, pela Renascença.
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Ricardo Leitão Machado é proprietário da Gesticopter, empresa que venceu concursos para o fornecimento de helicópteros destinados ao combate aos incêndios rurais. Embora o contrato tenha sido celebrado antes da entrada formal do empresário na empresa, os investigadores suspeitam que já exerceria controlo sobre a sociedade há mais tempo.
A investigação está ligada a um alegado esquema que terá lesado o Estado em vários milhões de euros através de contratos públicos ligados aos meios aéreos de combate aos fogos.
Segundo o comunicado da PJ, a investigação, dirigida pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), visa “factos suscetíveis de configurar a prática de ilegalidades relacionadas com a contratação de meios aéreos para combate a incêndios rurais”.
As autoridades suspeitam ainda que “os responsáveis das empresas concorrentes, após terem acesso a informações privilegiadas, combinando previamente entre si as propostas a apresentar nos procedimentos lançados, lesando os interesses financeiros do Estado”.
O inquérito investiga alegados crimes de burla qualificada, corrupção passiva, corrupção ativa e associação criminosa.
Operação envolveu 11 mandados de busca
A operação policial foi conduzida pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ e incluiu o cumprimento de 11 mandados de busca e apreensão em domicílios, sedes de empresas e escritórios de advogados, no distrito de Lisboa.
De acordo com a PJ, participaram na operação 63 elementos da Polícia Judiciária, quatro juízes de instrução criminal, seis magistrados do Ministério Público, quatro elementos do NAT da Procuradoria-Geral da República e quatro representantes da Ordem dos Advogados.
“A UNCC dará continuidade à investigação, procedendo à análise dos elementos probatórios recolhidos, com vista a determinar o apuramento integral das responsabilidades criminosas e assegurar a conclusão célere da investigação”, refere ainda o comunicado.
No ano passado, a PJ já tinha realizado buscas relacionadas com estes concursos públicos, estando então sob suspeita empresas com ligações ao irmão e ao cunhado de António Leitão Amaro.
Na altura, o ministro confirmou ter conhecimento de que empresas ligadas à família participaram em concursos públicos nesta área, explicando que pediu escusa em Conselho de Ministros sempre que fossem discutidos processos relacionados com o combate aos incêndios.
Associações são "caluniosas". Ministro da Presidência afasta relação com buscas ao cunhado
O ministro da Presidência reagiu, no entretanto, às buscas, reiterando que não tem qualquer envolvimento ou relação com a investigação que envolve o seu cunhado.
Em resposta à Lusa, o gabinete de António Leitão Amaro sublinhou que "o ministro não teve também intervenção em procedimentos de contratação pública de helicópteros", considerando, por isso, "inadmissível envolver ou culpabilizar alguém por relações familiares".
"São, por isso, caluniosas as associações de imagem ou nome do ministro em notícias de uma investigação relativamente ao qual ele não tem qualquer envolvimento", referiu ainda.
[notícia atualizada às 14h14 de 14 de maio de 2026, para acrescentar resposta do ministro da Presidência]
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