APAV. Aumentou a violência de filhos contra pais nos últimos cinco anos
15 mai, 2026 - 08:35 • João Malheiro , André Rodrigues
A maioria das vítimas são mulheres e a maioria dos agressors são homens.
Aumentou a violência de filhos contra pais, segundo dados da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) divulgados esta sexta-feira.
Nos últimos cinco anos, foram apoiadas 4.804 mães e pais vítimas de violência por parte dos filhos, um aumento de 39,6%. Destas vítimas, 96,8% foram agredidas por um filho e 3,2% por dois ou mais filhos.
A maioria das vítimas são mulheres (79,4%), 59,6% das quais com 65 ou mais anos de idade. Ao todo, chegaram à APAV denúncias de 9.609 crimes e formas de violência.
Mais de metade das vítimas (55,7%) sofreram de abusos continuados e 47,7% numca apresentaram queixa às autoridades.
Quanto aos agressores, a maioria são homens (69,5%), com a maior fatia a situar-se na faixa etária entre os 25 e os 54 anos (45,5%).
Os distritos com mais situações foram Lisboa (18,7%), Porto, (15,6%), Faro (15,1%), Braga (13,8%) e Setúbal (9,1%).
"É algo que causa muita vergonha aos pais"
Na leitura a estes dados, Carla Ferreira, da APAV reconhece que a violência de filhos contra pais "é algo que causa muita vergonha" às vítimas e que “esta vergonha é tanto maior quando estamos a falar de filhos mais jovens contra pais mais jovens, porque, muitas vezes, há o receio de poderem ser acusados de não terem sido capazes de educar devidamente ou de não terem sido capazes de estabelecer limites”.
No caso dos idosos, que são a maior parte das vítimas, "também há um receio associado que tem a ver com o facto de estas pessoas agressoras serem também, de alguma forma, as pessoas que são cuidadoras e que acabam por se sentir na dependência, não apenas emocional, mas também de cuidado relativamente a quem pratica estes crimes".
Para além da vergonha e do medo que leva muitas vítimas a não denunciar situações de violência, Carla Ferreira diz que há, também, um "enorme sentimento de culpa" nestas pessoas.
"Sentem-se muito culpadas e é muito importante desmontar a culpa que elas possam sentir e explicar-lhes que isso não é algo que está no seu alcance e na sua capacidade".
A solução é "encaminhá-las para serviços adequados de apoio”.
[Notícia atualizada às 10h16 com declarações de Carla Ferreira, da APAV]
- Noticiário das 2h
- 08 jun, 2026








