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Diretores de escolas pedem investigação do MP a cursos vendidos em estabelecimentos públicos

15 mai, 2026 - 14:16 • Olímpia Mairos , com André Rodrigues

Filinto Lima acusa empresa de agir com “má-fé” e pede que se investigue o caso da venda de cursos em escola.

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O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima, pede a intervenção do Ministério Público no caso dos cursos promovidos por uma empresa privada em escolas públicas.

Esta sexta-feira, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, atribuiu às direções escolares a responsabilidade pela entrada de entidades com fins comerciais nos estabelecimentos de ensino.

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Em declarações à Renascença, Filinto Lima rejeitou a possibilidade de os diretores terem recebido contrapartidas para permitir ações promocionais dentro das escolas e garantiu que houve “má-fé” por parte da empresa organizadora.

“Vejo isso com muita dificuldade de acontecer”, afirmou, lembrando que as escolas dispõem atualmente de mecanismos para verificar quem entra nos estabelecimentos de ensino. “Nós temos informações concretas que nos permitem perceber que tipo de pessoas podemos levar às escolas”, acrescentou.

O responsável da ANDAEP explicou ainda que várias direções tentaram esclarecer o que aconteceu durante as iniciativas realizadas ao fim de semana, mas sem sucesso.

“Os diretores telefonam porque querem averiguar melhor aquilo que se passou ao sábado e ao domingo nas suas escolas e essas pessoas não atendem o telefone”, criticou, questionando de seguida: “Porque o fará? Está com o rabo trilhado?”.

Filinto Lima considera que as escolas foram induzidas em erro quanto ao verdadeiro objetivo das sessões e às condições apresentadas posteriormente às famílias.

“Tenho quase a certeza que a empresa promotora não disse, por exemplo, que iria celebrar contratos com os pais por 36 meses, com prestações de 130 euros por mês, por conteúdos digitais muito duvidosos”, acusou.

Apesar de admitir que os espaços escolares podem ser cedidos gratuitamente ou mediante pagamento, o dirigente associativo insiste que as direções desconheciam os moldes dos contratos celebrados com os encarregados de educação.

Por isso, defende agora uma investigação judicial ao caso. “Gostaria até que esta situação fosse denunciada ao Ministério Público para se perceber, de facto, qual é a verdade”, concluiu.

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