De Politécnico a Universidade
Politécnico contra Politécnico. Presidente de Leiria “sentido” com falta de apoio dos pares
15 mai, 2026 - 18:12 • Cristina Nascimento
Leiria e Porto deverão ganhar duas novas universidades, quando os seus politécnicos mudarem de nome. A decisão tem luz verde do Governo, mas CRUP e CCISP são contra a ideia. No Porto, o presidente do politécnico acredita que a recusa esteja ligada ao receio de perda de importância do conselho coordenador dos politécnicos.
Foi com surpresa que em Leiria e no Porto, os presidentes dos politécnicos receberam o "não" dos seus pares. Ambos querem transformar as suas instituições em universidades técnicas, mas tanto reitores como o próprio órgão que representa os politécnicos são contra esta ideia.
A decisão tem luz verde do Governo e falta apenas a aprovação em Conselho de Ministros e a promulgação do Presidente da República para formalizar a criação da Universidade de Leiria e Oeste, assim como a Universidade Técnica do Porto — que espera abrir portas já em setembro.
O presidente do Instituto Politécnico de Leiria (IPLeiria), Carlos Rabadão, diz ter ficado “surpreendido” e “sentido” com a oposição do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) à passagem do IPLeiria a universidade, até porque nada, na sua opinião, apontava nesse sentido.
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Já no Porto, o presidente Paulo Pereira, também surpreendido com o parecer negativo, aponta como motivo para essa recusa uma eventual perda de importância do CCSISP. “Representamos 20% daquilo que é o ensino superior politécnico em Portugal e, eventualmente, o CCISP pode estar preocupado com a redução da sua dimensão”, justifica Paulo Pereira.
Em entrevista à Renascença, Carlos Rabadão começa por lembrar que, neste processo, o projeto de passagem a universidade mereceu parecer favorável de várias entidades, entre as quais a Direção Geral do Ensino Superior, a Agência para a Acreditação e o Conselho Coordenador do Ensino Superior — que tem peritos internacionais e representações do CCISP, do CRUP e dos estudantes.
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Já sobre os pareceres negativos do CRUP e, sobretudo, o do CCISP apanharam-no de surpresa.
“Devo dizer que fiquei surpreendido, porque não era o que resultava das conversas que íamos tendo”, diz Carlos Rabadão.
Questionado sobre se ficou sentido, Rabadão admite que sim. “Fico, claro que sim, fico, porque acho que não ganhamos nada em nos opormos à vontade dos outros. Mais, eu estou a fazer quase quatro anos de mandato e, na minha candidatura, eu já anunciava que queria transformar o Politécnico em Leiria em universidade plena”, acrescenta.
O presidente do Instituto Politécnico de Leiria não quis alongar-se mais sobre o assunto, garantindo que as divergências seriam resolvidas em sede própria.
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As críticas do CRUP e do CCISP são extensíveis ao projeto de transformação do Instituto Politécnico do Porto (IPPorto) em Universidade Técnica do Porto. No caso do Porto, o presidente também reconhece ter ficado surpreendido e acredita que essa posição poderá ter um motivo: receio de uma eventual perda de importância do CCSISP.
“Representamos 20% daquilo que é o ensino superior politécnico em Portugal e, eventualmente, o CCISP pode estar preocupado com a redução da sua dimensão”, justifica Paulo Pereira.
No entanto, acrescenta, diz não ver razões para isso, dado que a nova Universidade Técnica do Porto vai manter uma parte do ensino politécnico.
“Vai ser um modelo de sistema binário, vamos continuar a garantir o ensino politécnico na Área Metropolitana do Porto e na Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa”, remata.
O CRUP e o CCISP contestam a criação destas novas universidades por considerarem, por um lado, que o momento não é adequado, face às mudanças do novo Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior — aprovado há duas semanas e, por outro, questionam a robustez científica dos politécnicos, entre outros argumentos.
A nova Universidade Técnica do Porto vai entrar em funcionamento no próximo ano letivo. É esta a expectativa do Paulo Pereira que garante que o “valor das propinas será exatamente o mesmo".
Em Leiria, tal como no do Porto, falta a “formalização da criação da universidade, que depende de um decreto-lei que terá de ser aprovado pelo Conselho de Ministros" algo que Carlos Rabadão espera "que possa acontecer a qualquer altura”.
“A nossa expectativa é que possa surgir a todo o tempo e depois entraremos num período de instalação, onde nesse período vamos definir uma agenda de transformação do Politécnico”, refere, acrescentando que a lei define que o período de instalação “possa ir no máximo até cinco anos”.
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