Ensino Superior
"Politécnicos nunca farão concorrência às universidades", diz reitor do Porto
15 mai, 2026 - 14:15 • Sandra Afonso
O novo regime jurídico aprovado pela direita dá mais autonomia aos politécnicos: passam a ser liderados por um reitor e podem ser convertidos em universidades. À Renascença, o Reitor da Universidade do Porto diz que não teme a concorrência, mas alerta para o risco de diminuírem os cursos profissionais.
“É um erro pensar que as pessoas não sabem distinguir o trigo do joio.” O Reitor da Universidade do Porto não se mostra preocupado com o novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), e garante que os politécnicos, que possam vir a transformar-se em universidades técnicas, não farão concorrência às universidades.
De resto, diz que o país preciso de cursos técnicos e teme que "por questões de prestígio", os politécnicos se foquem mais em doutoramentos.
O novo regime, aprovado há duas semanas pelo Parlamento, é um novo modelo de ensino superior que prevê "universidades politécnicas" e define apenas a existência da figura de "Reitor".
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui
“Essa concorrência nunca existirá”, garante em declarações à Renascença. “Os estudantes sabem perfeitamente quais são as universidades mais competitivas e aquelas que garantem um reconhecimento no mercado de trabalho maior e quais são aquelas que são menos competitivas”, diz o reitor António de Sousa Pereira.
A alteração decorre do novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, aprovado no início do mês pelos partidos de direita (PSD, CDS-PP, Chega e Iniciativa Liberal). Na prática, permite mais oferta formativa e confere mais poder de gestão aos politécnicos, que passam a ser presididos também por um reitor.
Educação
Nova Universidade Técnica do Porto arranca em setembro. “Valor das propinas será exatamente o mesmo"
Atual Instituto Politécnico do Porto vai passar a (...)
Há politécnicos com capacidade para doutoramentos
António de Sousa Pereira admite que o país tem politécnicos “com capacidade instalada para dar doutoramentos", e diz que "essa não é a questão que está em cima da mesa, nem nunca foi”.
O que preocupa o reitor da Universidade do Porto é que a “função primordial que os politécnicos tinham atribuída, que era darem cursos em estreita ligação com o ambiente empresarial e altamente virados para as atividades mais profissionalizantes”, possa estar agora em risco. E teme que, “por questões de prestígio, agora se concentrem mais nos programas doutorais do que provavelmente nessas formações”, acrescenta.
O reitor António de Sousa Pereira sublinha ainda que essas formações técnico-profissionais “são críticas para um país em que nem 50% dos jovens segue para o ensino superior". E defende que Portugal precisa de oferecer aos restantes "uma formação que lhes permita serem competitivos num mercado de trabalho, que se pretende mais competitivo, e que produza produtos de valor acrescentado”.
“Não é por se mudar o nome” que os politécnicos vão desviar alunos das universidades, acredita. O reitor do Porto reconhece que nem todos se conseguem inscrever “por questões financeiras”, mas isso é outro tema.
“Tendo oportunidade e tendo capacidade financeira, (os alunos) vão continuar a escolher as universidades com mais prestígio internacional, com mais internacionalização, com professores mais habilitados, onde se faz mais investigação”, garante António de Sousa Pereira. “Vai continuar a existir este tipo de seleção”, assegura.
RJIES: Parlamento aprova novo Regime Jurídico para o Ensino Superior
Novo RJIES prevê "universidades politécnicas" e de(...)
Conselho de Reitores está preocupado
Esta sexta-feira, o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) manifestou-se preocupado com os efeitos do novo modelo, em comunicado enviado às redações. Fala em "diluição do sistema binário" poderá resultar na desvalorização do sistema universitário.
Este modelo, acredita o CRUP, leva ainda ao desaparecimento de "critérios objetivos e quantificados para a definição e eventual alteração do tipo de instituição".
Por isso, acredita que a alteração "poderá gerar discricionariedade, inconsistência ao longo do tempo, incerteza para os estudantes e um abaixamento dos níveis de exigência associados a cada subsistema.
Além disso, o CRUP critica o diploma por introduzir confusão desnecessária entre os dois tipos de instituições, e teme que alguns politécnicos se transformem em universidade sem dispor de um número mínimo de programas de doutoramento acreditados, e sem desenvolver investigação em unidades de investigação "consolidadas e de reconhecida qualidade".
O lado positivo do diploma, indica, é a intenção de reforçar a autonomia das instituições, a valorização do bem-estar estudantil e o incentivo a novas ferramentas de cooperação institucional.
- Noticiário das 1h
- 17 jun, 2026










