Reportagem
Lisboa. Aparente normalidade na Escola Básica professora Aida Vieira
18 mai, 2026 - 11:15 • João Cunha
A falta de uma professora, de baixa por gravidez de risco, esteve na origem de uma decisão inusitada: proibir a entrada dos alunos daquela turma naquele estabelecimento de ensino.
Já terá sido encontrada uma solução, ainda que temporária, para os alunos de uma turma do terceiro ano do ensino básico na escola Aida Vieira, no Bairro Padre Cruz, em Lisboa.
A falta de uma professora, de baixa por gravidez de risco, esteve na origem de uma decisão inusitada: proibir a entrada dos alunos daquela turma naquele estabelecimento de ensino.
Mais cedo do que o normal, para terem o ATL, antes de iniciarem as aulas, os alunos da turma A do 3.º ano da Escola Básica Professora Aida Vieira, no Bairro Padre Cruz, em Lisboa, lá foram chegando.
Depois da professora da turma ter entrado de baixa por gravidez, a direção do agrupamento ainda distribuiu os alunos por outras turmas, até de anos letivos diferentes. Mas, pouco tempo depois, percebeu-se que não era solução. E aí, a escola decidiu impedir a entrada das crianças daquela turma na escola, decisão inusitada, que deixou os pais revoltados.
Depois dos protestos, a coordenadora da escola sugeriu à direção do Agrupamento e ao Conselho Pedagógico – que terão sugerido que as crianças continuassem sem aulas – que dois professores da sede de agrupamento, um de TIC e outro de Educação Física, coadjuvassem outros dois professores, de Matemática e de Português, com umas horas livre no horário, e se ocupassem desta turma. E assim garantissem que, pelo menos na passada quinta e sexta-feira, as crianças estivessem na escola. Mas só até ás 13.45, quando o horário habitual é saírem às 15.30.
Hoje, entrou em vigor a decisão do agrupamento: a turma ficará com um professor temporário coadjuvado por outros professores dos 2.º e 3.º ciclos, passando o horário a ser garantido na íntegra.
Explicou a escola, na passada semana, que a falta de aulas se deve a um ajustamento do horário da turma, lamentando que os alunos tenham ficado sem aulas.
"Conhecedores dos constrangimentos causados às famílias, que lamentamos, e compreendendo a preocupação manifestada na sequência da permanência dos alunos em casa e da alteração temporária do horário da turma nos dias 14 e 15 de maio, informamos que a mesma decorre da necessidade de se reorganizar o horário da turma/docentes para que, a partir do dia 18 de maio, seja possível assegurar na íntegra o horário do 3.ºA", lê-se na nota divulgada aos pais.
A solução encontrada, frisa a escola, tem "carácter temporário" e a diretora garante que "continuam a ser desenvolvidos todos os esforços para assegurar o restabelecimento do normal funcionamento das atividades letivas e o cumprimento integral do horário escolar dos alunos".
"Não é regular, não é normal", diz Ministro da Educação.
A propósito deste caso, e questionado pela Renascença, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, disse tratar-se de uma situação anormal e que a Inspeção-Geral da Educação deverá abrir um inquérito para investigar o que aconteceu.
Os pais das crianças desta turma específica tentaram alertar as autoridades para o ocorrido. Joana Oliveira, uma dessas mães, referiu à Renascença que todos os contactos tinham sido infrutíferos.
"Já falei com o Ministério da Educação, com a DGEstE, que já não tem esse nome, é um outro qualquer... Tem de ser tudo por e-mail, não nos aceitam presencialmente. Já fiz reclamações e nada", lamentava, exigindo "uma resposta e uma solução da escola".
- Noticiário das 4h
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