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Portugueses detidos

Médicos portugueses na flotilha. “Só estaremos tranquilos quando falarmos com eles”

20 mai, 2026 - 16:26 • Olímpia Mairos

Familiares dos médicos portugueses Gonçalo e Beatriz dizem continuar sem contacto desde 18 de maio e admitem receio de maus-tratos após a interceção da flotilha humanitária por forças israelitas.

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As famílias dos dois médicos portugueses detidos por Israel enquanto seguiam numa flotilha humanitária com destino a Gaza reuniram-se esta quarta-feira com o Presidente da República, António José Seguro, mas saíram do encontro sem informações concretas sobre o estado de saúde de Gonçalo e Beatriz.

À saída da audiência no Palácio de Belém, os familiares admitiram que continuam sem qualquer contacto com os dois portugueses desde a manhã de 18 de maio, momento em que a embarcação em que seguiam terá sido intercetada por forças israelitas.

Nós só estaremos tranquilos quando conseguirmos falar com eles e ver a cara deles”, afirmou uma familiar, sublinhando o receio de que os dois médicos possam ter sido alvo de maus-tratos durante a detenção.

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Segundo os familiares, a última informação recebida indica que a embarcação “já terá chegado” a território israelita, embora os dados tenham sido transmitidos pela organização da flotilha e não por fontes oficiais. “Nem o cônsul em Telavive conseguiu ainda falar com eles”, acrescentaram.

As famílias revelaram ainda que voltarão a solicitar uma audiência ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, depois de o Governo português ter condenado publicamente aquilo que descreveu como “tratamento desumano” sobre alguns dos ativistas da missão humanitária.

“Vimos que o Ministério dos Negócios Estrangeiros condenou a detenção ilegal do Gonçalo e da Beatriz e das restantes pessoas”, referiram.

Missão “estritamente humanitária”

Os familiares insistiram que os dois portugueses participavam numa missão exclusivamente humanitária. “Tanto o Gonçalo como a Beatriz são médicos, exercem em Portugal e voluntariaram-se para prestar apoio médico aos palestinianos em Gaza”, afirmaram.

Questionados sobre declarações do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que classificou a operação como “um sucesso notável” e acusou os ativistas de associação ao Hamas, os familiares rejeitaram as acusações.

“Estas pessoas vinham numa missão humanitária, desarmadas, para quebrar um bloqueio ilegal que há anos viola direitos humanos fundamentais dos palestinianos”, defenderam.

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Contacto perdido após aproximação de barcos militares

A última comunicação entre os médicos portugueses e as respetivas famílias ocorreu na manhã de 18 de maio. Segundo os relatos, Gonçalo e Beatriz terão avisado que embarcações militares se aproximavam.

“Eles disseram-nos que havia uma probabilidade de serem intercetados. Por volta das nove da manhã deixámos de ter resposta”, relataram.

Os familiares admitiram que os dois médicos estavam conscientes do risco de detenção, sobretudo após episódios anteriores envolvendo outras embarcações da mesma flotilha.

“Sabiam que isto podia acontecer, mas o objetivo era sempre conseguir levar ajuda humanitária e médica a Gaza”, disseram.

Durante as declarações, foi também recordado o caso de outros ativistas portugueses ligados à flotilha, alegadamente sujeitos a agressões por militares israelitas. “O Nuno foi espancado brutalmente pelas forças israelitas”, denunciaram.

Apesar da preocupação crescente, as famílias afirmam que Gonçalo e Beatriz estavam determinados na missão que decidiram abraçar.

Eles sentiam que estavam a fazer uma coisa justa e humanitária”, afirmou um familiar. “A ajuda tem sido negada por organismos oficiais em repetidas violações do direito internacional.”

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