Centro Europeu de Prevenção de Doenças
Infeções sexualmente transmissíveis atingem número recorde na Europa
21 mai, 2026 - 14:42 • Jaime Dantas
Paulo Santos, especialista em prevenção de doenças e em saúde pública, aponta as causas para o aumento das infeções na Europa.
O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) revela, esta quinta-feira, que foi atingido o recorde de infeções por doenças sexualmente transmissíveis (DST) na Europa.
Segundo o relatório divulgado, com dados referentes a 2024, a DST com uma maior subida foi a gonorreia, que mais do que triplicou, em relação a 2015, para 106 331 casos. A sífilis aumentou para o dobro em 10 anos, com um total de 45 577 infeções registadas no continente europeu.
Ainda assim, no topo da tabela continua a clamídia, que teve 213 443 casos reportados em 2024.
Se não forem devidamente tratadas, estas infeções podem causar problemas graves, como a dor crónica e infertilidade. No caso da sífilis, podem resultar problemas cardíacos ou do sistema nervoso. Por isso, o organismo europeu alerta para a necessidade de reforço da testagem e tratamento mais rápido das doenças sexualmente transmissíveis.
Especialista alerta para desleixo em relação aos perigos
Ouvido pela Renascença, o médico Paulo Santos, especialista em prevenção de doenças e em saúde pública, aponta como uma das causas para o aumento das infeções um fenómeno de "relaxamento" em relação às práticas sexuais desprotegidas.
O investigador da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto recorda que a adoção de métodos contracetivos aumentou exponencialmente aquando da crise do VIH/SIDA, nos anos 80, muito pelo medo da mortalidade associada à doença, que "introduziu uma mudança enorme de comportamento" na população.
"Não havia tratamento nenhum para a SIDA e as pessoas mudaram de comportamento por medo. O medo é um potentíssimo indutor de mudanças de comportamento, mas de curto prazo, não se mantêm no futuro", diz.
Agora que a SIDA é considerada uma doença crónica, com tratamento definido, tal "acabou por fazer as pessoas relaxarem no seu comportamento", o que também se aplica às restantes doenças sexualmente transmissíveis para as quais existe cura.
O especialista aponta, no entanto, culpa partilhada aos serviços de saúde, que em Portugal estão "fragmentados" e impossibilitam uma ação rápida perante casos suspeitos.
"Temos muitos doentes sem médico de família, temos serviços de urgência muito fragmentados em diferentes tipologias e temos um sistema, mesmo em termos de notificação, que é um sistema lento, baseado em processos antigos", sublinha.
Ainda assim, Paulo Santos salienta que "a principal responsabilidade pela manutenção da saúde é do próprio", devendo ser sempre utilizado um método de barreira para impedir propagação de doenças.
Para facilitar o rastreio das DST, o Centro Europeu de Controlo de Doenças criou um localizador, que pode aceder clicando aqui.
- Noticiário das 20h
- 19 jul, 2026




