Cibercrime
Roubados dados de mais de 100 mil utentes do SNS, diz Judiciária
25 mai, 2026 - 18:50 • Ricardo Vieira
Diretor da Unidade de Combate ao Cibercrime da PJ afirma que o processo de vazamento de dados "já terá sido sanado" e estão "mobilizados todos os meios necessários à investigação e à proteção dos direitos dos cidadãos".
Os dados de mais de 100 mil utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) foram roubados do sistema, indicou esta segunda-feira a Polícia Judiciária (PJ). Os piratas informáticos poderão ter utilizado inteligência artificial.
"A intrusão comprometeu dados pessoais de um número muito alargado de utentes disseminados por todo o território nacional, incluindo as ilhas", disse o diretor da Unidade de Combate ao Cibercrime da PJ, José Ribeiro, em conferência de imprensa.
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A PJ tem recebido "diariamente muitas centenas, senão milhares de comunicações" relacionadas com este incidente de segurança informática.
De acordo com José Ribeiro, "o processo de exfiltração dos dados já estará sanado, já terá sido sanado pelos serviços e estão mobilizados todos os meios necessários à investigação e à proteção dos direitos dos cidadãos".
Credenciais de médico usadas sem o seu consentimento para aceder a dados de crianças
ULS Minho afasta responsabilidades ao profissional(...)
A Polícia Judiciária foi alertada pelo SNS na madrugada do dia 20 para 21 da passada semana, após ter sido "detetado um acesso indevido a registos de saúde eletrónicos de utentes do SNS, incluindo dados pessoais de menores".
De acordo com José Ribeiro, o acesso terá sido realizado através de credenciais comprometidas de um profissional de saúde. "Tendo em atenção a gravidade do sucedido, foi aberto de imediato um processo-crime para investigação", afirmou.
"Foi possível saber que um agente malicioso terá obtido as credenciais desse profissional de saúde, sem que existisse relação clínica ou terapêutica que o justificasse, utilizando-as depois para aceder massivamente a registos administrativos de utentes através da plataforma de registo de saúde eletrónico", sublinhou o o diretor da Unidade de Combate ao Cibercrime da PJ.
As credenciais foram desativadas, os acessos anómalos foram bloqueados e foram recolhidas "máquinas comprometidas e outros elementos" no âmbito da investigação.
Até ao momento, não há qualquer pista sobre o pirata informático que roubou os dados.
O diretor da unidade de Combate ao Cibercrime da PJ ainda não pode determinar, em concreto, o uso que pode vir a ser feito dos dados roubados. Admite que possam ser utilizados para vários fins maliciosos e comerciais.
“Claro que teremos aqui manancial de riqueza muito elevado para terceiros que tenham fins maliciosos, para outros fins comerciais também ou então para as duas. Para o cibercrime como modelo de negócio, claro que esses dados podem ter vários tipos de utilização: fins maliciosos ou comerciais.”
O caso foi denunciado na semana passada. Vários utentes relataram nas redes sociais alegados acessos indevidos a processos clínicos de crianças através da plataforma SNS 24.
Alguns utilizadores afirmam ter recebido notificações a indicar consultas aos registos médicos em diferentes locais do país.
ERS abre processo de avaliação após denúncias de acessos indevidos a dados de saúde no SNS 24
Entidade reguladora acompanha situação relacionada(...)
A Renascença recebeu também testemunhos de pais preocupados com a situação. Catarina Dias contou ter tido conhecimento do caso através de um grupo de WhatsApp de encarregados de educação da escola das filhas, depois de vários pais relatarem notificações de acessos aos registos de saúde dos filhos na aplicação SNS 24.
A Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Minho esclareceu na sexta-feira, 22 de maio, que os alegados acessos indevidos a registos de utentes terão resultado da utilização abusiva das credenciais de um médico por terceiros, afastando qualquer responsabilidade do profissional.
Numa resposta enviada à Renascença, a ULS do Alto Minho refere que, “na sequência dos relatos de acessos indevidos a registos administrativos de utentes”, ouviu o médico em causa e concluiu que “tudo indica que foram comprometidas as suas credenciais, não tendo os acessos sido realizados pelo profissional”.
Além da investigação da Polícia Judiciária, a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) anunciou a abertura de um processo de avaliação na sequência de denúncias sobre alegados acessos indevidos a informação de saúde de vários utentes através do Portal SNS 24.
Entretanto, a Iniciativa Liberal (IL) pediu a audição urgente do presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) no Parlamento. A deputada da IL, Joana Cordeiro, defende a necessidade de “uma explicação clara” sobre o caso, sublinhando a gravidade da eventual violação de dados de saúde, incluindo informação relativa a crianças.
[notícia atualizada às 22h00, de 25/05/2026]
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