Cibercrime
"Conselho de Administração do SNS vai ter de responder" sobre dados de utentes roubados, diz especialista
26 mai, 2026 - 02:04 • Alexandre Abrantes Neves, com redação
"O que está aqui em causa é a confiança que os cidadãos têm que ter numa infraestrutura crítica", acredita a advogada Elsa Veloso.
A Polícia Judiciária (PJ) indicou na segunda-feira que o roubo de dados de mais de 100 mil utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e o acesso indevido pode "chegar aos 10 anos", adiantou a advogada Elsa Veloso à Renascença, especialista na legislação do ciberespaço.
"O acesso ilegítimo tem pena de até um ano de prisão, se for agravada até cinco anos de prisão. A interseção ilegítima até três anos de prisão, o desvio de dados e a utilização indevida de dados pessoais pode valer três anos de prisão, podendo chegar aos dez anos em infraestruturas críticas", explicou.
Porém, a advogada relembrou que "não se pode fazer um somatório", já que a avaliação depende de critérios de gravidade.
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A PJ acredita que os piratas informáticos poderão ter utilizado inteligência artificial e explicou que as credenciais foram desativadas, os acessos anómalos foram bloqueados e foram recolhidas "máquinas comprometidas e outros elementos" no âmbito da investigação.
Mas, até ao momento, não há qualquer pista sobre o pirata informático que roubou os dados.
Cibercrime
Roubados dados de mais de 100 mil utentes do SNS, diz Judiciária
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O caso foi denunciado na semana passada. Vários utentes relataram nas redes sociais alegados acessos indevidos a processos clínicos de crianças através da plataforma SNS 24.
Na leitura de Elsa Veloso, os criminosos que extraíram os dados não são os únicos que devem ser punidos e os serviços partilhados do ministério da Saúde também devem ser responsabilizados.
"O Conselho de Administração do SNS vai ter que responder do ponto de vista criminal e do ponto de vista cível o acesso ilegítimo por omissão imprópria", acrescentando que "os gestores não são os autores materiais do acesso".
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"O conselho tem a responsabilidade, porque conhecia as vulnerabilidades" do sistema, disse a advogada.
Para Elsa Veloso, esta é ainda uma "grave falha do Estado de direito democrático".
"Este caso é o incumprimento absoluto daquilo que se espera de um Estado direito, que é a proteção dos menores. O que está aqui em causa é a confiança que os cidadãos têm que ter numa infraestrutura crítica".
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