Operação Águas Turvas
Megaoperação da PJ na empresa Águas de Gaia resulta em 13 detidos
26 mai, 2026 - 10:00 • Hugo Monteiro , Daniela Espírito Santo , Liliana Monteiro , João Malheiro com Lusa
Entre os detidos encontram-se empresários de vários setores de atividade e altos quadros da Empresa Municipal.
[Atualizado às 11h15]
Uma mega operação da Polícia Judiciária na empresa Águas de Gaia, em Vila Nova de Gaia, fez 13 detidos por suspeita de prática de crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, abuso de poder e branqueamento, estando em causa um valor global de oito milhões de euros.
A informação foi avançada pelo Correio da Manhã e confirmada, no entretanto, pela Renascença.
A Polícia Judiciária, através da Diretoria do Norte, desenvolveu, no dia desta terça-feira, uma operação policial, na qual foram cumpridos, no Norte do país, cerca de 30 mandados de busca. Foram apreendidas viaturas de alta cilindrada, saldos bancários e instrumentos financeiros e três armas de fogo, bem como dezenas de milhares de euros em dinheiro.
Entre os detidos encontram-se empresários de vários setores de atividade e altos quadros da Empresa Municipal Águas de Gaia, bem como outros funcionários daquela entidade, que, desde o ano de 2024, foram responsáveis pela celebração e execução de procedimentos de contratação pública com as sociedades suspeitas, no valor global já mencionado.
A investigação incide sobre "um amplo esquema organizado de criminalidade económico-financeira, desenvolvido através da conjugação de esforços entre empresários do setor privado e funcionários da Empresa Municipal Águas de Gaia, com poderes decisórios relevantes no âmbito da contratação pública e sua respetiva execução".
"Os intervenientes estabeleceram, ao longo do tempo, um quadro relacional estável, funcionalmente orientado para a manipulação do processo decisório administrativo, no qual a contratação pública foi instrumentalizada como meio de obtenção de vantagens patrimoniais e não patrimoniais ilegítimas, com existência de práticas reiteradas e coordenadas destinadas a condicionar decisões, moldar procedimentos, antecipar resultados e neutralizar mecanismos de controlo, através da utilização de canais informais de comunicação, da exploração de relações funcionais e pessoais e da criação de expectativas de benefício futuro", descreve a PJ.
Em setembro de 2025, o então presidente do Conselho de Administração da Águas de Gaia (ADGAIA), Miguel Lemos Rodrigues, já se encontrava suspensão de funções, e foi acusado pelo Ministério Público (MP) de corrupção e de outros crimes económicos, por alegada viciação das regras da contratação pública.
As buscas decorreram na empresa camarária, mas também noutras empresas e em domicílios.
- Noticiário das 6h
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