Operação Imergente
“Há uma cultura de poder que recompensa prestadores de serviços por critérios de confiança partidária"
28 mai, 2026 - 21:06 • Marisa Gonçalves
O PS pode não ser arguido na Operação Imergente, mas "está profundamente envolvido na cultura de poder que promove estas promiscuidades", afirma João Paulo Batalha, da Frente Cívica.
O vice-presidente da Associação Frente Cívica, João Paulo Batalha, entende que a “Operação Imergente” da Polícia Judiciária (PJ) traz à luz do dia “padrões muito reconhecíveis”, ao nível do poder local.
Esta quinta-feira foi divulgada uma megaoperação, com cerca de 400 inspetores, para investigar suspeitas de "participação económica em negócio, relativa à adjudicação de diversos contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia", de acordo com um comunicado da PJ. A operação está centrada num alegado esquema de favorecimento associado ao poder autárquico do PS em Lisboa.
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Em declarações à Renascença, João Paulo Batalha considera “perigosa” o que classifica de “lógica de redes de clientelas, com padrões de favorecimento”.
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“Mesmo que se chegue à conclusão de que não foram ultrapassadas as linhas da legalidade, há claramente uma cultura de poder que recompensa as empresas e os prestadores de serviços por critérios de proximidade e de confiança partidária. Vemos este padrão de pessoas com militância nos partidos, pessoas da máquina partidária, digamos assim, que animam as campanhas do partido, as comunicações do partido, a serem recompensados com contratos públicos fornecidos por entidades políticas ligadas ou controladas pelo partido. Portanto, isto é uma forma indireta, muitas vezes, de os partidos alimentarem as suas máquinas”, afirma João Paulo Batalha.
No parlamento, aos jornalistas, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, disse que ainda não falou com nenhum dos visados, mas assegurou que o partido não está envolvido nesta investigação, garantindo total cooperação com as autoridades.
Na opinião do vice-presidente da Associação Frente Cívica, o facto de o PS não ser o alvo da investigação, tal não significa que a imagem do partido não saia prejudicada.
“O PS não está diretamente envolvido como suspeito ou arguido enquanto pessoa coletiva. O PS não é um alvo desta investigação, mas o PS está profundamente, entranhadamente envolvido na cultura de poder que promove estas promiscuidades”, aponta.
João Paulo Batalha refere, ainda, que estes “são problemas entranhados na cultura dos partidos e que, portanto, esses deviam ser alvo de atenção política”.
O vice-presidente da Associação Frente Cívica defende, também, um reforço de meios técnicos e humanos para o Ministério Público, para acelerar as investigações em processos mais complexos.
- Noticiário das 23h
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