Ministério Público
PGR nega "timings" políticos e agenda nas investigações
28 mai, 2026 - 23:05 • Lusa, com redação
Sem fugir ao tema das buscas feitas na sede do PS, Amadeu Guerra pede tranquilidade e garante que não é o tempo político que move as investigações. "Nós tratamos por igual todos os cidadãos", respondeu.
O procurador-geral da República negou esta quinta-feira no parlamento ter "timings políticos" nos inquéritos e buscas do Ministério Público, questionado sobre as buscas desta quinta-feira à sede do PS e freguesias ligadas ao partido.
"Eu nunca tive 'timings' políticos, nunca", disse Amadeu Guerra na audição perante os deputados da comissão parlamentar de Direitos, Liberdades e Garantias, onde esteve esta quinta-feira, com o vice-procurador-geral, Paulo Morgado de Carvalho, e com o diretor do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), Rui Cardoso, para responder sobre as conclusões de uma inspeção que revelou diversos problemas e falhas no DCIAP, o departamento do Ministério Público dedicado à criminalidade mais complexa.
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A garantia foi deixada pelo procurador-geral, após as buscas que esta quinta-feira ocorreram terem levado Rui Rocha, da Iniciativa Liberal – que apresentou um dos requerimentos que motivou a audição –, a questionar Amadeu Guerra sobre o momento político e as sondagens favoráveis ao PS podiam explicar o momento para desencadear a operação e se a maior ou menor morosidade de algumas investigações podia ser explicada por "agendas ditadas por outro tipo de interesses" que não o judicial.
"Nós não somos taticistas. A minha experiência diz-me uma coisa: quando, por cautela, não damos o despacho, não decidimos, depois vai ser pior. Podem acontecer outras coisas que nós não estamos à espera e depois é pior. Isso às vezes acontece", disse Amadeu Guerra.
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"Eu não ligo a sondagens. Nós não temos 'timings' políticos. É óbvio que vai haver pessoas que dizem que o diretor do DCIAP disse que não há 'timings políticos', mas que há, e nós sabemos quais é que são. Eu o que vos queria pedir, e às pessoas, estejam tranquilas, nós não temos situação absolutamente nenhuma de 'timings" políticos'" acrescentou o procurador-geral.
"Não fica bem"
A Judiciária realizou ao longo de quinta-feira várias buscas em Lisboa, Oeiras, Mafra e Coimbra, num caso que envolve a adjudicação de contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia e da qual resultaram quatro detenções.
A investigação envolve o assessor de imprensa do PS, Duarte Moral, e ainda o antigo presidente da junta de freguesia de Santa Maria Maior, em Lisboa, Miguel Coelho, que, entretanto, já suspendeu o mandato na Assembleia Municipal.
Porém, o líder socialista, José Luís Carneiro, já veio garantir que o PS não é visado nesta investigação da Judiciária, mas o líder do Chega, André Ventura, não se mostra convencido e pede esclarecimentos: "É uma questão que toca o núcleo central do Partido Socialista, mas isto não quer dizer que sejam culpados."
"É evidente que visam o PS, porque senão não eram na sede do PS e não eram uma série de dirigentes do PS. Nem fica bem atirar e dizer simplesmente que é a responsabilidade de um trabalhador que não sabe do que é que se passa", acredita.
Para André Ventura, José Luís Carneiro, enquanto antigo assessor de António Costa, tem "amplas responsabilidades na estratégia de comunicação do Partido Socialista".
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"Nós tratamos por igual todos os cidadãos"
Já sobre a carta que o juiz Ivo Rosa escreveu ao Presidente da República, António José Seguro, a denunciar uma "perseguição criminal" do Ministério Público (MP) a decisões que tomou por serem contrárias às pretensões das teses e acusações dos procuradores, Amadeu Guerra disse que a carta está a ser analisada.
"Nós tratamos por igual todos os cidadãos", garantiu o procurador-geral da República.
Disse ainda que o MP fez em outubro do ano passado um levantamento de processos-crime contra magistrados, que revelou 197 processos-crime.
"Nós também temos processos-crime, eu já tive, não tinha conhecimento e só soube com o despacho de arquivamento", disse Amadeu Guerra.
O procurador-geral disse que quando existe uma denúncia "suficiente para abrir um processo-crime", ele é aberto "independentemente das pessoas" e sublinhou as conclusões da inspeção interna às investigações abertas a Ivo Rosa, que não encontrou "qualquer violação de direitos fundamentais naquele processo principal".
"Uma coisa muito importante: todas as intrusões referidas foram autorizadas por um juiz de instrução criminal. Que se diga isto, porque eu ainda não ouvi dizer isso e isso é muito importante que se diga", disse Amadeu Guerra.
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