Dia sem Tabaco
Novas formas de tabaco atraem adolescentes. Especialistas defendem mais impostos e proibição de sabores
31 mai, 2026 - 09:14 • Anabela Góis
Neste Dia Mundial sem Tabaco, especialista alerta que a indústria recorre a marketing agressivo, sabores e designs apelativos para captar uma nova geração para o consumo de produtos com nicotina.
As novas formas de tabaco, como cigarros eletrónicos, tabaco aquecido ou bolsas de nicotina, estão a atrair os jovens e os especialistas defendem medidas urgentes para travar a tendência em nome da saúde das novas gerações.
A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) associa-se ao mote definido pela Organização Mundial da Saúde para o Dia Mundial sem Tabaco, que se assinala este domingo: “desmascarar o apelo – combater a dependência da nicotina e do tabaco”.
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Daniel Coutinho, da Comissão de Trabalho de Tabagismo da SPP, diz que é preciso “alertar para a estratégia da indústria tabaqueira que recorre a marketing agressivo, sabores e designs apelativos para captar jovens para o consumo de produtos com nicotina, muitos deles adolescentes que nunca pensaram fumar tabaco tradicional”.
É essencial que os jovens entendam que as novas formas de tabaco são efetivamente prejudiciais
As novas formas de consumo de nicotina entre os adolescentes são motivo de preocupação para a comunidade médica, até porque está a verificar-se o aumento da experimentação precoce, com a capacidade aditiva da nicotina nos cérebros ainda em desenvolvimento dos adolescentes, bem como com o potencial de doença respiratória aguda em jovens consumidores de vaping.
Daniel Coutinho sublinha que “é essencial que os jovens entendam que as novas formas de tabaco são efetivamente prejudiciais. É preciso desconstruir mitos, nomeadamente a ideia de que os cigarros eletrónicos e o tabaco aquecido têm um papel como ferramenta de cessação".
Além disso, sublinha, "existe o risco de algumas pessoas usarem ao mesmo tempo cigarros eletrónicos e tabaco tradicional, o que aumenta e prolonga a exposição a substâncias nocivas”.
SPP pede regulação da publicidade nas redes sociais
É neste contexto que a SPP defende a implementação de um pacote de medidas robusto, “como o aumento da carga tributária sobre todos os produtos de tabaco e nicotina, a completa proibição de sabores, uma forte regulação da publicidade nas redes sociais e do comércio online destes produtos, bem como o acesso universal a apoio especializado para a cessação tabágica”.
Daniel Coutinho sublinha que as campanhas de sensibilização e educação dirigidas aos mais jovens são essenciais, em particular, na internet e redes sociais.
Há até produtos que estão banidos do mercado que continuam a ser vendidos online
“É o espaço de guerra neste momento porque as redes sociais e as plataformas online são, no fundo, sítios de promoção aberta a estes novos produtos, completamente desregulada. Há até produtos que estão banidos do mercado que continuam a ser vendidos online”, afirma.
O tabagismo continua a ser uma das causas evitáveis de doença respiratória e morte prematura em Portugal.
A cessação tabágica é a intervenção mais eficaz para reduzir o risco de doença respiratória, cardiovascular e mortalidade. Infelizmente, diz Daniel Coutinho, “não há dados sobre os tempos de espera para consultas de cessação tabágica”.
Na ULS Gaia-Espinho, onde trabalha, “nas consultas prioritárias os doentes são vistos abaixo de 30 dias. Nas consultas não prioritárias as marcações variam entre três e seis meses, apesar de tudo, não é um tempo de espera exagerado”, sublinha o especialista.
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