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Segurança Alimentar. “O frigorífico deve estar nos quatro graus de temperatura”

07 jun, 2026 - 08:00 • Marisa Gonçalves

Em declarações à Renascença, a investigadora Paula Teixeira refere que a chegada do calor aumenta o risco de infeções severas. Portugal regista cerca de mil casos anuais de salmonelose, devido às bactérias Salmonella.

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Consumo de alimentos. Foto: Reuters
Consumo de alimentos. Foto: Reuters
fast food hambúrgueres alimentação comida alimentos saúde Foto: Artur Widak/Reuters

A conservação dos alimentos e a sua confeção ganham cada vez mais importância devido ao risco de infeções por diversas bactérias, como a Salmonella ou a Listeria.

A propósito do Dia Mundial da Segurança Alimentar que se assinala neste domingo, Paula Teixeira, investigadora do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Universidade Católica Portuguesa, no Porto, lembra que os cuidados começam em casa, e em especial no frigorífico que deve estar nos quatro graus de temperatura.

"É uma temperatura que pode não ser conhecida de todos. Eu até posso programar o meu frigorífico para funcionar a quatro graus e até ter quatro graus indicado no mostrador, mas, na realidade, a temperatura no frigorífico pode ser superior. Portanto, ter o frigorífico a quatro ou a sete ou a dez é completamente diferente no que se refere ao crescimento de bactérias", aponta à Renascença.

Paula Teixeira sublinha que o uso do frio para a conservação dos alimentos é um processo que permite retardar ou inibir o crescimento da atividade dos microrganismos.

A professora universitária refere que existem inúmeros erros que se cometem todos os dias e que podem ser corrigidos para prevenir doenças.

Paula Teixeira recorda a necessidade de conservar a fruta já consumida também no frigorífico.

No caso das carnes, a investigadora sublinha o exemplo do hambúrguer como mais um dos alimentos que devem ser bem cozinhados.

"A carne é picada, portanto, o que está no exterior, que é onde normalmente temos os contaminantes, no caso de uma carne picada passa para o interior. Se não for cozinhado a temperaturas suficientemente altas, nos 70 graus, na zona mais fria, no centro, corremos o risco de ter sobrevivência de bactérias que possam estar naturalmente presentes na carne", refere.


A investigadora do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Universidade Católica adianta que os casos de listeriose, uma infecção alimentar potencialmente grave, têm vindo a aumentar.

"É uma bactéria que causa infeções muito graves. Portanto, estamos a falar de meningites, estamos a falar de abortamento no caso das senhoras grávidas, estamos a falar de infeções generalizadas. Claro que é uma bactéria que afeta principalmente indivíduos de grupos de risco, os mais idosos e os imunocomprometidos. As infecções por Listeria estão a aumentar na Europa e também em Portugal. Quando falamos de uma taxa de mortalidade que vai de 10 a mais de 40% dos indivíduos afetados é algo que nos preocupa muito”, denota.

Paula Teixeira também refere que Portugal regista cerca de mil casos anuais de salmonelose, devido às bactérias Salmonella. A investigadora diz que o problema pode não estar só nos ovos mal conservados, mas também nas carnes, em particular nas carnes de porco. Por isso alerta que todas as carnes devem ser bem cozinhadas e lembra os cuidados a ter para prevenir contaminações cruzadas.

"Sabemos que estas carnes podem estar contaminadas, em particular à superfície. Portanto, os sucos que estas carnes libertam podem conter micro-organismos causadores de doença. É muito importante garantir o cuidado das mãos que estiveram em contato com estas carnes, ou seja, o cuidado das superfícies que estiveram em contato com estas carnes, as facas. Portanto, separar claramente estas superfícies em contato com estes alimentos daqueles alimentos que vão ser consumidos sem qualquer tratamento térmico".

Paula Teixeira adverte que com a chegada do calor de junho, os riscos associados às bactérias presentes nos alimentos ganham maior relevância.

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