Empresa que vende cursos em escolas contratou formador de Inglês sem "diploma na área"
08 jun, 2026 - 06:30 • Fátima Casanova
A Renascença falou com um formador de inglês que admitiu não ter "formação específica" para a função. Mesmo sem um diploma, assinou contrato com a Joviform para dar aulas a mais de 30 alunos aos sábados de manhã.
Miguel, que pediu o anonimato, assinou “contrato de prestação de serviços de formador externo” com a Joviform, Consultoria Empresarial, Lda, em 2023.
No contrato a que a Renascença teve acesso, a cláusula primeira refere que Miguel foi contratado para dar a formação “English Cambridge Program”.
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Até aqui tudo bem, não fosse o caso de Miguel não ter “formação específica”. No momento de assinar contrato disse que “não tinha um diploma específico da área”, mas ainda assim, foi questionado sobre se conseguia dar formação em inglês.
Miguel disse que sim, porque sentia-se “confiante” e contou à Renascença que o processo de recrutamento foi “muito rápido”, admitindo que viu aqui uma oportunidade para “ganhar experiência”.
“O curso, não tinha ligação ao currículo escolar”
Miguel começou a dar as aulas no final de 2023, aos sábados de manhã, num espaço alugado pela empresa.
Tinha mais de 30 alunos, entre os 13 e os 18 anos, que foram distribuídos por duas turmas.
Questionado pela Renascença, Miguel admitiu que o curso que estava a ministrar “não tinha ligação ao currículo escolar”.
O objetivo era preparar os alunos para uma prova que aferisse os seus conhecimentos e os colocasse no respetivo nível de inglês, caso os alunos quisessem seguir estudos de inglês
Pela formação que estava a dar, Miguel recebia 15 euros por hora.
Manteve a ligação à empresa até fevereiro de 2025, quando a Joviform começou a falhar os pagamentos.
8 JUNHO Empresa que vende cursos em escolas contratou formador de Inglês sem "diploma na área"
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A atividade das várias marcas e entidades operadas pelo mesmo grupo empresarial (Associação Internacional Lusófona para a Educação - AILE, a Joviform, Advance Station e Skills Gym) está ser alvo de denúncias há mais de 10 anos por práticas comerciais agressivas e angariação de clientes em escolas públicas.
As notícias das últimas semanas sobre a polémica venda de cursos em escolas públicas, motivou novas denúncias, para além da posição do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), que ordenou a suspensão imediata de qualquer atividade com empresas ou associações que utilizem as escolas para fins de promoção ou venda de cursos a alunos e encarregados de educação.
A tomada de posição do MECI foi anunciada há cerca de um mês, mas a Renascença sabe que o assunto já era do conhecimento da Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC), pelo menos, desde maio de 2024, quando recebeu a denúncia de um pai, que se insurgiu contra a atividade comercial da Skills Gym, numa escola pública, no concelho de Vila Franca de Xira. O processo de inquérito foi arquivado em 2025.
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- 20 jul, 2026






