Reportagem
Greve nos registos. “Só para a semana é que podemos voltar, independentemente da urgência"
08 jun, 2026 - 12:37 • João Cunha
Os trabalhadores dos registos e notariado iniciaram uma greve de uma semana, com serviços mínimos para casos urgentes. Protestam contra o que dizem ser a "situação crítica" do setor. Utentes com casos urgentes não conseguiram ser atendidos.
O Instituto de Registo e Notariado na Fontes Pereira de Melo já tinha perto de 30 pessoas em fila, ainda antes das oito da manhã. A uma hora da abertura de portas, Gisele Mateus somava-se à fila, de pasta na mão com documentos. Pediu para lhe guardarem o lugar e foi lá à frente, ao início da fila, confirmar o que lhe pareceu ter ouvido, esta manhã, na rádio. Que havia greve, mas que também havia serviços mínimos. Sobretudo para casos urgentes.
À porta dos serviços lá estava uma folha, na vertical, a informar que poderiam existir constrangimentos no funcionamento normal dos serviços, devido á greve dos trabalhadores do Registo e Notariado.
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"Deus, e agora", lamentava com o seu companheiro, que com ela tinha vindo de Vila Franca de Xira.
Sete minutos depois das nove, um pouco depois da hora de abertura, eis que surge à porta uma funcionária de uma empresa de segurança, a explicar que os serviços iam estar encerrados, devido à paralisação, e a aconselhar as pessoas a voltarem só no dia15, já que a greve se estende até dia 13, sexta-feira.
Na fila, com um carrinho de bebé, Catarina Coelho saiu de Sintra, ainda de noite, para vir a Lisboa tratar da nacionalidade do marido, um palestiniano a residir em Portugal há já alguns anos.
"Cheguei às dez para as sete da manhã, para tratar da nacionalidade do meu marido. Temos sempre de trazer o bebé e tivemos de vir cedo", explica, enquanto o marido aproveita para guardar o momento para a posteridade, com uma foto em que a mulher, de bebé ao colo, aparece a dar uma entrevista.
Ali não muito longe, a Loja do Cidadão do Saldanha abriu como previsto às nove da manhã. Todos os serviços estavam a funcionar, ainda que com muitos constrangimentos: o espaço do IMT, onde se trata de documentação relativa a cartas de condução e veículos, tinha apenas quatro dos vinte balcões de atendimento a funcionar. Cá fora, dezenas de pessoas faziam contas á vida, numa tentativa de perceber se o melhor não seria voltar de tarde, porque a espera parecia grande.
Noutra zona da Loja, os serviços de registo estavam a funcionar, mas como explicava um funcionário que distribuía as senhas, "com serviços muito mínimos". No espaço de espera, eram centenas as pessoas, sentadas ou em pé, à espera de vez.
Na zona oriental de Lisboa, os Registos Centrais de Lisboa, que funcionaram até há uns meses na Rua Rodrigo da Fonseca, junto ao Parque Eduardo VII, também tinham uma fila de algumas dezenas de pessoas, à espera de vez. Um funcionário de uma empresa de segurança informava que, por causa da greve, que será até sexta-feira, havia muito poucos funcionários e que o melhor seria voltar daqui a uma semana. Uns ouviam e mantinham-se na fila. Outros desistiam.
Matilde Tomás lamentava ter de esperar tanto tempo para resolver uma situação que diz ser urgente.
"Esta semana vai haver greve todos os dias, quarta-feira é feriado, ainda por cima. Só para a semana é que podemos voltar, independentemente da urgência", referia esta jovem advogada, que teria agora de explicar ao seu cliente que, apesar da urgência, teria de esperar pelo menos uma semana.
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- 22 jul, 2026











