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Ordem dos Médicos exige esclarecimentos urgentes sobre falha de energia que afetou SNS

15 jun, 2026 - 11:30 • Hugo Monteiro com Lusa

Para Carlos Cortes, "não deixa de ser estranho e preocupante que os SPMS não tenham contactado a Ordem dos Médicos até ao dia de hoje", considerando que "este bloqueio de informação é incompreensível".

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A Ordem dos Médicos exigiu esta segunda-feira explicações urgentes sobre a falha de energia que afetou os sistemas informáticos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e que poderá ter deixado mais de 150 mil consultas e atos clínicos sem registo em tempo real. Na sequência das "perturbações significativas" registadas na passada sexta-feira nos sistemas informáticos, a Ordem dos Médicos (OM) pediu esclarecimentos aos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SMPS) e lamenta não ter sido contactada em tempo útil por esta entidade.

Em declarações à Renascença, o bastonário Carlos Cortes explica que "ao contrário daquele que é o procedimento habitual entre os SPMS e a OM", a estrutura representativa dos médicos "não foi informada da situação e não foi informada da natureza da falha". "Esta comunicação teria sido fundamental para informarmos os médicos que estão a trabalhar no Serviço Nacional de Saúde e para podemos dar orientações", explica.

Carlos Cortes aponta, ainda, "uma outra falha", a falta "de um plano de contingência, de um plano B". "Todas as instituições que trabalham com sistemas informáticos têm esse plano B. Quando há uma falha informática, que infelizmente acontece frequentemente no SNS, tem que haver um plano muito concreto para todos os profissionais de saúde saberem como é que devem atuar", sublinha.

Estas são falhas que "são encaradas com grande preocupação por parte da Ordem dos Médicos". Daí, explica o Bastonário, a OM "ter enviado um ofício aos SPMS para este poder dar explicações sobre aquilo que aconteceu". "Nós ouvimos explicações públicas de uma falha de energia, que é uma explicação um pouco escassa, portanto, pedimos aqui mais detalhes sobre o impacto e sobre a causa desta falha de energia".

A Ordem dos Médicos lembra que, "numa sexta-feira de junho, normalmente, há cerca de 120 mil consultas nos cuidados de saúde primários, mais de 30 mil nos cuidados hospitalares". Neste caso, diz Carlos Cortes, "muitas delas foram feitas em condições que não são as ideais para tratar os doentes". Já outras consultas "acabaram por não se concretizar" devido a esta falha, assim como "não houve prescrição de medicação, não houve prescrição de meios complementares de diagnóstico" e registou-se, até, uma rutura da conexão com a linha SNS 24", com "um impacto verdadeiramente negativo sobre o Serviço Nacional de Saúde".

A OM recorda que é a segunda falha grave, em menos de um mês, nos sistemas de informação do SNS, depois de a 22 de maio, uma falha de segurança ter afetado dados administrativos e informação associada a processos clínicos de mais de 100 mil utentes em todo o país, incluindo crianças.

[Notícia atualizada às 12h34 de 15 de junho de 2026 para acrescentar declarações de Carlos Cortes à Renascença]

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