Criminalidade
Grupos de carteiristas já atuam todo o ano em Portugal. Há mais queixas e menos detidos
16 jun, 2026 - 06:21 • Liliana Monteiro
Polícia de Segurança Pública admite que especialização desta criminalidade dificulta localização dos suspeitos. Muitos detidos já são reincidentes e começam a ficar em preventiva. Lisboa, Porto e Algarve são as zonas mais afetadas.
Os primeiros cinco meses do ano trouxeram mais queixas por furtos praticado por carteiristas e menos detidos e identificados.
Dados da PSP revelados pelo subintendente Sérgio Soares, à Renascença, mostram que este ano 2.867 pessoas apresentaram queixa por este tipo de furto (mais 212 participações que em 2025), foram detidas já 56 pessoas (menos 13 que em 2025) e identificados 156 suspeitos (menos 16 que em igual período do ano passado).
Contas feitas, há menos 18% de detidos, menos 9% de identificados e mais 7% de ocorrências.
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Zonas turísticas, comerciais e interfaces de transporte são os alvos preferidos. Lisboa, o Porto e o Algarve as regiões com mais registo desta criminalidade.
“Estão muito pouco tempo nas cidades onde concretizam os ilícitos. Hoje estão em Lisboa, amanhã estão no Porto e no dia seguinte podem estar em Madrid ou em Barcelona”, afirma o subintendente Sérgio Soares. A especialização desta criminalidade dificulta a interceção de quem cometes estes ilícitos.
O aumento exponencial do turismo levou estes grupos (que procuram sempre a melhor altura do ano para atuar) a escolherem Portugal, "que já é visado praticamente todo o ano porque tem cada vez mais turistas”.
Carteiristas atuam em grupo
“O típico assaltante português atuava de forma isolada, ainda vai acontecendo, mas, por norma, o grosso das situações já são células muito especializadas, já com alguma profissionalização que vagueiam, por vários países da nossa Europa, procurando cidades com grande aglomeração de pessoas”, refere o subintendente Sérgio Soares.
“São três ou quatro pessoas. Uma ou duas distraem, outro retira o bem e há muitas vezes um quarto elemento numa viatura para o grupo se ausentar do local de forma rápida”, conta o responsável da PSP.
Muitas vezes, explica, procuram alturas de grandes eventos desportivos, culturais e de lazer, uma grande aglomeração de pessoas, quando estão distraídas com algo porque este é “um crime de oportunidade”.
O porta-voz da PSP revela que “procuram quantias elevadas de dinheiro e muitos turistas continuam ainda a andar com muito dinheiro vivo em notas e esse é o alvo principal, mas também os telemóveis”. Mas também há esquemas montados: “por vezes há situações em que detetamos e chegamos a fazer já detenções em flagrante delito em que é usado alguma tecnologia já para haver aqui o uso depois de cartões de crédito ou de débito”.
Mas há mais. “Por exemplo, fazerem-se passar por turistas em zonas de grande aglomeração de pessoas em locais e zonas turísticas, mostram um mapa, fazendo com que a pessoa se distraia e haver uma segunda ou terceira pessoa que retira o bem da carteira”.
As células que praticam este crime são hoje compostas tanto por elementos do sexo masculino, como também elementos do sexo feminino, uma “combinação de género para melhor poderem passar despercebidos”.
Maioria dos detidos são estrangeiros de Leste
O subintendente Sérgio Soares diz que “o grosso das detenções que têm sido feitas neste momento já são de indivíduos estrangeiros, pessoas que vêm de outros locais, nomeadamente da Europa de Leste”
E diz mais: “temos feito detenções recorrentes de indivíduos reincidentes detidos quatro, cinco e seis vezes pela prática do mesmo crime e, às vezes, têm ficado em prisão preventiva”.
Se o típico carteirista português de há uns anos era uma pessoa já com alguma idade, neste momento as células criminosas são compostas por pessoas a partir dos 25 anos e depois pode ir até aos 45 anos.
PSP tem equipa especial só para este crime
Há oito anos que a PSP criou uma equipa dedicada ao combate a este crime, que está baseada na Divisão de Investigação Criminal da PSP de Lisboa, especializada na análise e no acompanhamento do fenómeno: in loco, na rua, no combate direto e depois na investigação criminal.
Investigação e atuação que salta as barreiras de Portugal. “Temos partilhado quer informação, quer também assessoria no terreno, portanto, temos ido a diversos locais, a outras cidades europeias, até já se deteve indivíduos que já havíamos detido também em Lisboa”, explica o subintendente Sérgio Soares.
Para prevenir este tipo de crime ficam alguns conselhos da PSP: “Guardar os bens em bolsos interiores e não nos bolsos traseiros das calças. Não transportar grandes quantias de dinheiro na carteira. Malas e mochilas transportadas na parte da frente do corpo e não nas costas. Para dificultar a vida as redes criminosas adicionar aos fechos um clip ou um cadeado”.
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