Comunicação Social
Renascença é a quarta marca de comunicação de maior confiança em Portugal
16 jun, 2026 - 03:00 • Catarina Magalhães
A crescente confiança nas notícias obtidas por inteligência artificial, a fuga às notícias de mais de um terço das pessoas que vivem em Portugal e a facilidade em compreender informações quando contadas por influencers são outras conclusões do novo estudo sobre o mercado de comunicação social no país.
A Renascença é a quarta marca de comunicação social de maior confiança em Portugal, avança o 12º relatório anual "Digital News Report" da OberCom em colaboração com a Reuters Institute for the Study of Journalism.
À frente da Renascença, com 76% de confiança, estão a RTP (79%), Jornal de Notícias (78%) e a SIC (77%).
Ainda a completar o top 15 das marcas noticiosas que o público mais confia, segue-se a Rádio Comercial (75%), Expresso (75%), RDP Antena 1 (74%), Público (74%), Agência Lusa (73%), TSF (73%), TVI (72%), Observador (71%), Notícias ao Minuto (70%), Media locais ou regionais (68%) e Correio da Manhã (60%).
Desde 2018, o Correio da Manhã é a marca com maior subida no índice de fiabilidade entre o público, com uma subida de 18,3 pontos, seguido do Observador com 9,1 pontos neste crescimento e o portal Notícias ao Minuto com 7,0 pontos.
Já a Renascença ganhou 3,5 pontos de confiança neste intervalo de tempo, sendo o quinto meio com a maior subida.
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Com o objetivo de conhecer a relação dos portugueses com conteúdos informativos, os investigadores inquiriram 97 mil pessoas em 48 países (incluindo todos da Europa) entre 6 de janeiro e 20 de fevereiro deste ano.
Segundo o estudo, a desinformação, algoritmos e outras ameaças dos meios digitais não impedem que as marcas noticiosas portuguesas "continuem a beneficiar de reservas reputacionais sólidas".
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Apesar do grau de confiança em notícias em Portugal (51%) continuar acima da média global (37%), este indicador "tem vindo a descer, varia fortemente com idade, rendimento, escolaridade e orientação política", sendo menor nos ambientes digitais.
À escala internacional, Hungria destaca-se com pior resultado, com 17%, sendo que o número de países com confiança negativa subiu de 13 para 19 num só ano.
Em Portugal, "a confiança em notícias em geral passou de 66% em 2015 para 51% em 2026, e a confiança nas notícias consumidas recuou de 71% para 55%", sendo os públicos mais velhos e socialmente favorecidos os mais satisfeitos com a credibilidade informativa.
Homens que têm entre 18 e 24 anos, rendimentos mais baixos, menor escolaridade e orientação política inclinada à direita critica, com maior regularidade, o trabalho dos jornalistas.
Já a Finlândia lidera a confiança do público perante as notícias que circulam no país, com 63%.
Onde se encontram notícias de maior confiança na net? E os influencers ajudam a compreendê-las?
Segundo os inquiridos, é melhor consultar notícias na internet nos próprios sites dos meios de comunicação (51% das respostas).
Os motores de busca (40%), os chatbots de inteligência artificial (24%) – por ser "a forma mais rápida" e pela "facilidade para aprofundar as informações" que desejarem – e as redes sociais (21%) são as outras formas preferidas para consultar informação.
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Apesar de em Portugal existirem poucos criadores de conteúdos dedicados à atualidade, a consulta destas publicações relacionadas a notícias pelas audiências portuguesas mais jovens atinge os 71% – algo que é rejeitado por dois terços das pessoas com mais de 65 anos.
Os influenciadores disputam, por isso, atenções com os media tradicionais e são vantajosos "na capacidade de tornar a atualidade mais próxima, acessível, inteligível e socialmente envolvente", segundo os inquiridos mais novos.
Para a maioria das pessoas mais jovens, "a notícia surge cada vez mais integrada no entretenimento, lifestyle, comentário e cultura digital" e 12% dos questionados revelam até que "todas as suas necessidades de informação são satisfeitas por criadores dedicados a notícias".
Desinformação: quais são as fontes mais valorizadas?
Segundo o novo estudo, três em cada quatro portugueses preocupam-se com a desinformação, mesmo os que continuam a confiar nas notícias.
Esta desconfiança é mais intensa entre públicos mais velhos, mais escolarizados, com maiores rendimentos, uma orientação política mais inclinada à esquerda do que à direita e, principalmente, entre as mulheres.
Porém, o serviço público da RTP mantém a liderança nas marcas noticiosas de confiança portuguesas entre estes públicos, como um "ator com impacto público relevante e amplamente legítimo".
Apenas atrás da Noruega, Finlândia e Suécia, Portugal é um dos países que mais confia no serviço público de informação, valorizando a democratização da informação, o jornalismo de qualidade e as reportagens de investigação
Por outro lado, 70% dos inquiridos reprova a influência de interesses políticos, a pouca variedade de temas e o facto de estar "desligado da realidade das pessoas comuns".
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Fontes percebidas como 'sem ponto de vista específico' são as preferidas de 53% dos portugueses, "mas não mostram grande predisposição para procurar contraditório" – o que 6% optam por escolher.
Já 21% das pessoas preferem consultar notícias que partilham o mesmo ponto de vista, o que é mais frequente na Nigéria (43%) e, em oposição, é menos preferível na Finlândia (5%).
Mais de um terço foge às notícias em Portugal
Em Portugal, 37% do público tem evitado ativamente consumir notícias como parte da rotina, sendo que, em 2017, apenas 22% dos inquiridos faziam-no intencionalmente.
A nível internacional, o Reino Unido destaca-se com 50% dos inquiridos a admitir que costuma evitar notícias, um pouco acima da média global de 42%.
Este comportamento de menor interesse tornou-se hábito para alguns, associado a "simples desinteresse do que a fadiga, saturação ou gestão ativa da distância face ao fluxo noticioso".
Apesar disso, as pessoas interagem com as notícias tanto ao ler comentários nas redes socias (33%), como a conversar presencialmente com amigos ou colegas sobre o tema (33%). Logo em terceiro lugar surge a partilha de notícias em mensagens, correspondendo a 20%.
Para além disto, apesar de a maioria dos inquiridos aceder à internet mais de dez vezes por dia – de preferência por telemóvel –, "apenas 9% dizem aceder a notícias com essa mesma intensidade".
Ou seja, "a conectividade digital permanente não se traduz automaticamente em atenção contínua ao jornalismo".
Renascença
Como posso tornar a Renascença a minha fonte principal de notícias no Google?
Adicione o site da Renascença aos seus preferidos (...)
Há uma menor predisposição para acompanhar notícias, já que a percentagem de desinteressados por notícias mais do que triplicou de 3% para 10%.
Excluem-se destas contas quem se interessa por política, os mais velhos e quem tem mais estudos, mas, mesmo assim, a percentagem dos interessados desceu de 69% para 50%.
"A relação com a atualidade tornou-se mais frágil, menos consensual e mais exposta a formas de distanciamento", lê-se no relatório.
Audiências estão insatisfeitas com cobertura das grandes notícias no mundo
"A maioria das pessoas" da amostra "acha que os media não estão a fazer um bom trabalho na cobertura de grandes notícias internacionais, como a inflação, a migração, o segundo mandato de Donald Trump, alterações climáticas e conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente", lê-se.
No entanto, a guerra na Ucrânia, a inflação e custo de vida e Médio Oriente são os trabalho jornalísticos sobre assuntos internacionais mais elogiados em Portugal. Já no mundo, as alterações climáticas são o tópicos com menor contestação.
Em países com ambientes mediáticos mais polarizados, "como o Reino Unido e os EUA, a orientação política revela grandes diferenças de satisfação".
Televisão continua a ser a estrela para saber as notícias. E a rádio?
A televisão portuguesa continua a ser central para quem quer saber o que acontece diariamente, sendo que Portugal é até o país da Europa que mais utiliza este meio para aceder a informação, com 59% dos inquiridos a afirmarem ser a principal fonte de notícias.
Relativamente aos outros países estudados, a televisão (55%) praticamente empata com os websites noticiosos (54%).
No universo radiofónico, a Rádio Comercial (21%), RFM (20%), M80 (11%), Rádio Renascença (9%) e TSF (8%) completam o top 5 das marcas com maior utilização tradicional na semana anterior.
Já nas versões digitais, os valores são mais baixos: a Rádio Comercial (11%) empata com a RFM (11%), a M80 (7%) e Rádio Renascença (6%) empata TSF (6%).
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Sobre a relação os utilizadores digitais e tradicionais de cada marca ao longo do tempo, "os valores mais elevados pertencem à rádio local ou regional (0,91), à TSF (0,76), à Rádio Renascença (0,64), à Antena 1 (0,61), à M80 (0,60), à RFM (0,55) e a Rádio Comercial (0,54).
Segundo esta medida, todos os meios estão abaixo de um valor, já que o formato tradicional de cada rádio prevalece – e, por esta razão, "o prolongamento digital por parte da TSF, da Renascença e da Atena 1 parece ter ganho peso de forma consistente".
Os meios de comunicação tradicionais portugueses que maior presença digital têm são a imprensa, em particular o Públio (1,52), Expresso (1,51), A Bola (1,36), Jornal de Negócios (1,28), Diário de Notícias (1,25), Record (1,15), Jornal de Notícias (1,09) e CMTV (0,92) – a televisão com mais sucesso nesta transformação. RTP 1 e 2, CNN Portugal, SIC, SIC Notícias e TVI são as estações que se seguem.
Entre os sites de informação nativos digitais (isto é, que não têm origem em estações televisivas, rádios ou jornais de imprensa), destaca-se o site Notícias ao Minuto (27%), Observador (17%), Sapo (16%), MSN News (8%), Jornal Económico (7%), Jornal ECO (6%), Agência Lusa (5%), Dinheiro Vivo (5%) e IOL (3%).
- Noticiário das 16h
- 20 jul, 2026










