Segurança
PSP e GNR recebem 6.700 tasers e bodycams no fim do ano
01 jul, 2026 - 07:00 • Cristina Nascimento
Investimento de 12 milhões de euros vai ser repartido entre as duas forças de segurança. Polícias e militares saúdam equipamentos, embora, anotam, venham tarde e em número insuficiente.
A PSP e a GNR vão receber 6.700 “tasers” e “boydcams” no último trimestre de 2026. Ao que a Renascença apurou junto de fonte da tutela, é o calendário que o Ministério da Administração Interna prevê cumprir, numa altura em que os concursos públicos para a aquisição destes equipamentos já estão em marcha, mas em diferentes fases.
O Ministério da Administração Interna (MAI) vai comprar 1.500 dispositivos elétricos de imobilização (“tasers”), dando cumprimento à decisão do Governo que há três meses aprovou a despesa. O MAI está ainda a receber propostas de venda para este concurso.
Já as câmaras corporais de uso individual (“bodycams”) serão 5.200 e o concurso vai na fase de análise das propostas, depois de ter encerrado no passado dia de 19 de junho.
Para qualquer um dos casos, o Ministério de Luis Neves prevê que o material chegue às forças de segurança no fim do ano.
No total, é um investimento de 12 milhões e meio de euros que promete modernizar a PSP e GNR.
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As forças de segurança já têm alguns dispositivos elétricos de imobilização, mas em número que até a tutela considera reduzido. Já a utilização de câmaras corporais de uso individual foi aprovada no Parlamento em 2021, mas, a cumprir-se o calendário, só este ano chegará aos operacionais.
Segundo fonte do MAI, o processo tem sido mais demorado dada a necessidade, determinada pelo último governo liderado por António Costa, de, antes de adquirir as bodycams, garantir uma plataforma unificada de segurança dos sistemas de videovigilância que permita cumprir a regulamentação de uso destas câmaras.
Ultrapassada essa questão, ainda na vigência do referido governo, foram depois lançados concursos públicos quer para a compra de bodycams, quer de tasers, mas ambos foram impugnados judicialmente. Só depois de ultrapassado este impasse é que o atual Governo conseguiu dar seguimento ao processo, adianta à Renascença a mesma fonte.
No total são 6.700 equipamentos a dividir por PSP e GNR, sendo que, até agora, ainda não é conhecido o critério de distribuição quer para uma força ou para outra, nem quais os serviços dentro da PSP e da GNR que serão primeiro apetrechados.
Chegam tarde e em número insuficiente
A Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP) mostra-se satisfeita com a aquisição, mas não deixa de anotar que “já devia ser uma realidade nos últimos anos” e lamenta que sejam poucos os equipamentos.
“As quantidades que são referidas não vão abastecer todos os elementos que necessitam, que para nós devem ser todos aqueles que têm interações com o público”, argumenta o presidente da ASPP.
Paulo Santos reconhece que “neste momento temos poucos polícias na rua, mas tendo em conta aqueles elementos que existem na PSP, que neste momento serão cerca de 20 mil, vamos partir do pressuposto de que 50% desses elementos estejam na rua e esses deviam estar todos apetrechados”.
A Associação de Profissionais da Guarda (APG) faz contas semelhantes. César Nogueira, presidente da APG, diz que vai haver postos territoriais da GNR a que não vai chegar uma bodycam sequer.
“Mil e tal a dividir pelas duas instituições, no caso da GNR não chegará, por exemplo, uma para cada posto territorial”, assegura.
César Nogueira garante que não estão “a exigir termos cada um de nós uma bodycam, mas uma em cada posto é certamente insuficiente porque nem dará para o efetivo que vai estar em cada turno”.
“Daqueles que estamos no terreno diariamente, seria necessário cerca de 10 mil para que todos pudéssemos estar a usar devidamente”, reforça.
Apesar do número considerado insuficiente, César Nogueira subscreve a ideia de que “mais vale que cheguem tarde do que nunca”.
O presidente da APG estima ainda que as câmaras corporais podem ajudar a esclarecer a questão da violência policial, apontada nalguns relatórios nacionais, como o Relatório Anual de Segurança Interna, e internacionais, por exemplo, a Amnistia Internacional.
“Transmitem que por vezes parece que nós abusamos do poder que temos. As pessoas podem não saber, mas muitas das queixas são criminosos que, para atenuar a sua pena, apresentam queixa contra o elemento da força de segurança. Nestes casos, a bodycam é uma ferramenta que terá toda a situação gravada e que poderá ser usada como meio de prova, e certamente mais metade das queixas não existirão”, remata.
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- 22 jul, 2026







