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"Água é um direito". Moradores de Almada protestam, SMAS garante melhorias este mês

06 jul, 2026 - 14:43 • João Cunha

SMAS diz que crise no abastecimento de água em Almada deve estabilizar este mês, mas fornecimento só estará totalmente estabilizado no final do 1º trimestre de 2027.

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As falhas no abastecimento de água em vários locais de Almada, nos últimos dias, levaram os habitantes ao desespero e ao protesto. Cerca de três dezenas de elementos do Movimento Pelo Futuro da Costa juntaram-se, esta segunda-feira, em frente às instalações dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento do concelho e, empunhando cartazes em que defendiam que a "água é um direito", acabaram por conseguir uma resposta do presidente. Luís Palma, que também é vereador da CDU, espera que ainda este mês já seja possível melhorar o abastecimento.

Os problemas tendem a ser resolvidos. Mas a total estabilidade no fornecimento de água a todo o concelho de Almada só será possível lá para o final do primeiro trimestre do próximo ano. Para já, garantiu o presidente dos SMAS, ainda este mês haverá melhorias no fornecimento de água.

"Temos já um novo furo a funcionar, iremos ter outro este ano que já vai ajudar em muito a resolver esta questão. Portanto estamos a dar como previsão temporal o mês de julho. Nós prevemos que este mês conseguimos estabilizar” o fornecimento de água, “em resultado daquilo que é esta intervenção”, explicou Luis Palma, que referiu que com a colocação destes dois furos em funcionamento, “podemos mitigar e melhorar um pouco mais”.

Para além dos dois furos que estão em andamento, há mais três em fase de licenciamento e outros três em fase de projeto.

Água captada é inferior ao consumo

Contudo, Luís Palma sublinhou que “a previsão é para 2027, tendo aqui como horizonte temporal o primeiro trimestre de 2027”. Data a partir da qual estará estabilizado o abastecimento de água em todo o concelho.

A água que está atualmente a ser captada, adiantou, é inferior ao atual consumo, sendo que 93 por cento dos furos de Almada localizam-se no concelho do Seixal (28 de um total de 32). Contudo, explicou, o furo que agora entrou em funcionamento foi já feito no concelho de Almada.

Luís Palma disse ainda que a atual administração dos SMAS entrou em funcionamento em dezembro de 2025, resultado daquilo que foram as eleições autárquicas, iniciando a execução do orçamento e do plano aprovado nos órgãos municipais e no conselho de administração a partir de fevereiro.

O trabalho inicial, explicou, foi “ouvir os trabalhadores dos vários departamentos para aferir quais as obras mais urgentes a realizar no sistema de distribuição de água, de captação de água, de reservatórios e de outras obras estruturantes, que também alimentam e suportam a rede”.

Até que essas obras estejam concluídas, o concelho vai ter de continuar a viver com cortes de água. E por isso, o presidente do SMAS sublinha que a está a ser pensado comunicar um calendário com os cortes no abastecimento.

“É algo que nós estamos a trabalhar nos últimos dias e que estamos a ponderar, do ponto de vista comunicacional, essa situação de podermos comunicar essa disponibilidade de água em determinados períodos”, referiu, destacando que a medida pode ser contraproducente.

“Isso pode ter um outro efeito, em que pode haver um açambarcamento e nós também não desejamos isso”.

Munícipes desesperam

O Hospital Garcia de Orta, os centros de saúde e clínicas de diálise têm o abastecimento de água garantido, segundo os SMAS. Mas as falhas no abastecimento de água em vários locais do concelho, nos últimos dias, levaram os habitantes ao desespero.

Quem tem negócios ligados à restauração não sabe como lidar com a situação. Quando há água, aproveita-se para lavar a loiça. Mas se esta vier apenas no período noturno, lá se amontoa a loiça suja, até ao dia seguinte.

Tem sido uma semana “horrível”, como explicou Elisabete Ferreira, sentada na esplanada de um café em Santo António da Caparica. “Péssima. Desgraçada. De sábado para domingo, faltou a água às nove e meia da manhã e só veio ontem”, garantia, enquanto dava um gole no café.

“A minha filha que vive em Lisboa trouxe não sei quantos garrafões de água da torneira, porque o problema são as casas de banho”.

Palmira Estrela queixava-se do mesmo. “Tivemos dois dias de água e hoje, às sete e tal, já não tínhamos”, queixava-se esta munícipe, que revelou ter ainda algum sentido de humor.

“Ainda consegui lavar os dentes! Consegui encher um copinho para lavar os dentes e lavar os sovacos, mais nada”.

Numa mesa mais ao lado, Lurdes Barradas não entende o silêncio da autarquia. “A Câmara estava a prever que tinha falta de água, que não tinha água nos furos ou que não tinha bombas os reservatórios, tinha de ter acautelado a situação mais cedo, porque toda a gente sabe que a Costa, no Verão, tem toda esta gente à espera”.

Através das redes sociais, está a ser organizado para quarta-feira na Costa da Caparica um cordão humano silencioso, para apelar à resolução urgente da falta de água.

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  • Pensem nisto
    06 jul, 2026 nas próximas Eleições 15:39
    Parece que mais uma vez foram atrás da ideologia e de cantos de sereia e elegeram incompetentes... Pensem no que está a acontecer, na próxima vez que tiverem um boletim de voto nas mãos.

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