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Autocarro atropela peões em Agualva-Cacém. Há dois mortos e 16 feridos

07 jul, 2026 - 10:26 • Daniela Espírito Santo , João Cunha , Jaime Dantas com Lusa

Vítimas estariam à espera do autocarro quando o veículo acidentado se despistou e embateu em quem aguardava na paragem.

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Um acidente com um autocarro da Carris Metropolitana fez, esta terça-feira, dois mortos e deixou pelo menos 16 outras pessoas feridas, junto à estação de comboios de Agualva-Cacém, no concelho de Sintra, no terminal de autocarros ali existente.

Os primeiros dados davam conta de um atropelamento, informação confirmada à Renascença pelo comando subregional da Grande Lisboa da Proteção Civil. O alerta foi dado às 09h42, na Rua Elias Garcia, no túnel de acesso à estação de comboios.

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Polícia investiga despiste. Vítimas estavam à espera do autocarro

Entretanto, Francisco Alves, comandante de divisão da PSP, confirmou aos jornalistas que as duas vítimas mortais estariam na paragem "à espera do autocarro" quando foram colhidas pelo veículo. Foi o intendente que deu o alerta enquanto fazia patrulha junto à estação.

"O autocarro despistou-se e colheu duas pessoas, as duas vítimas mortais. Há ainda cerca de 20 feridos confirmados", esclareceu o responsável, que confirmou: "as duas vítimas estavam a aguardar pelo autocarro na paragem".

Francisco Alves confirmou, igualmente, que os feridos estariam dentro do autocarro que se despistou. Descreveu, ainda, o que se passou nos minutos seguintes ao despiste. "Isolamos a área, chamamos várias corporações de bombeiros. Há um ponto de triagem onde estão a ser acompanhados os feridos, com psicólogos a assistir as vítimas e familiares", acrescenta.

A brigada de acidentes da PSP de Lisboa vai investigar as causas.

Feridos encaminhados para dois hospitais

Os feridos foram encaminhados para os hospitais de Amadora-Sintra e São Francisco Xavier. Já o comandante João Raminhos, dos Bombeiros de Agualva, confirmou, mais tarde, que serão 16 os feridos, todos leves, e que estes já foram transportados para as unidades hospitalares.

"Pelas informações que reunimos, isto foi o autocarro que, ao chegar ao terminal, não travou. Desconheço a razão. E as pessoas que estavam no passeio à espera do autocarro foram abalroadas. É a única informação que temos", confirma o responsável.

Entretanto, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) indicou, numa informação enviada à agência Lusa, que há 17 feridos ligeiros, todos adultos, 10 dos quais foram transportados ao Hospital Amadora-Sintra e sete para a Unidade Local de Saúde (ULS) Lisboa Ocidental.

Há ainda seis pessoas a receber ajuda psicológica, entre elas o condutor do autocarro.

Carris Metropolitana. "Causas serão determinadas pelas entidades responsáveis pela investigação"

Em comunicado, a Transportes Metropolitanos de Lisboa, gestora da marca Carris Metropolitana, também já lamentou o acidente com o autocarro, operado pela Viação Alvorada, assegurando que "as causas serão determinadas pelas entidades responsáveis pela investigação" e garantindo estar a colaborar "para o apuramento das circunstâncias do acidente".

"A prioridade absoluta neste momento é prestar todo o apoio às vítimas, aos seus familiares e às equipas envolvidas", referiu a gestora do serviço rodoviário intermunicipal, em comunicado.

No local, o presidente da Câmara Municipal de Sintra, Marco Almeida, lamentou "esta trágica notícia da perda de vidas" e garantiu que feridos e familiares das vítimas "podem contar" com a ajuda da autarquia "nos dias que agora se seguem".

Marco Almeida. "Quem perdeu a vida era gente de trabalho"

Aos jornalistas, confirmou que a câmara "mobilizou todos os meios" e salientou que foram os serviços camarários a ligar a ventilação do terminal, desligada "há vários anos".

"É inaceitável. teve de ser uma equipa da Câmara a deslocar-se ao local para ligar a ventilação porque estão muitos homens e muitas mulheres lá dentro a socorrer as vítimas e a prestar um socorro permanente. Não deixo de registar este facto, que é lamentável que este terminal tenha a ventilação desligada há algum tempo", queixou-se.

Visivelmente emocionado, agradeceu o trabalho dos meios de socorro. "Queria deixar ficar uma nota: quem perdeu a vida era gente de trabalho e isso custou muito", disse o autarca, aos jornalistas.

O Presidente da República, António José Seguro, já terá telefonado a Marco Almeida para se inteirar do sucedido. Também o primeiro-ministro utilizou o X (antigo Twitter) para demonstrar uma "grande consternação". "Deixo aos familiares das vítimas mortais uma profunda palavra de conforto e condolências. Aos feridos, votos de uma rápida e plena recuperação. E, aos operacionais, voluntários e cidadãos que colaboraram no auxílio a esta tragédia, deixo também uma nota do reconhecimento e agradecimento do país", diz Luís Montenegro.

Já o ministro da Administração Interna sublinha que o próximo passo é investigar as causas do acidente. "O trabalho que se segue, em primeiro momento, é proteção e socorro e o encaminhamento das vítimas para os hospitais e, a seguir, apurar as responsabilidades do que sucedeu", reitera.

Segundo o Instituto Nacional de Emergência Médica, as vítimas mortais são duas mulheres, entre os 30 e 40 anos.

A paragem fica logo ao lado de uma zona que não terá acesso pedonal oficial, mas é utilizada todos os dias pelos passageiros que procuram uma entrada mais rápida na estação de comboios para aceder às plataformas, o que terá originado os primeiros relatos de que o acidente se teria dado ainda no túnel e não dentro do terminal.

No local estão 35 operacionais, auxiliados por 16 veículos. A estação está, neste momento, encerrada e o acesso foi impossibilitado até aos jornalistas enquanto decorrem as operações de socorro. O trânsito está a circular, com exceção do túnel de acesso à estação de comboios, onde ocorreu o acidente.

[Notícia atualizada às 14h17 de 7 de julho de 2026 para acrescentar mais declarações]

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