Vila Nova de Gaia
Menezes acusa PS de mentir sobre investimento em habitação durante gestão socialista
07 jul, 2026 - 15:51 • Jaime Dantas com Lusa
O PS acusou na segunda-feira Luís Filipe Menezes de manter na “estaca zero” a promessa de construir 4.000 casas em Gaia e de inaugurar projetos herdados da anterior gestão socialista.
O presidente da Câmara Municipal de Gaia, Luís Filipe Menezes, acusa a oposição do PS de "mentir" sobre o investimento em habitação.
É a reação às palavras do vereador do Partido Socialista em Gaia que, esta segunda-feira, acusou o autarca de estar em silêncio sobre a promessa de construir 4.000 casas, que estão, na sua opinião, na “estaca zero”.
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“Não há absolutamente nada de novo. É uma promessa que ainda não passou disso e está na estaca zero. Foram 4.000 casas prometidas em campanha e, oito meses depois, nem uma palavra sobre como, quando ou onde”, diz o vereador João Paulo Correia, citado em comunicado.
Os socialistas apontam “um investimento de cerca de 143 milhões de euros que programou a construção e reabilitação de centenas de fogos em Grijó, na Madalena, em Laborim e em Pedroso que agora começam a chegar às famílias”. Assim, acusam o presidente da Câmara de “inaugurar projetos e habitações que herdou dos mandatos socialistas".
Durante uma cerimónia de entrega de habitações sociais no Jardim do Morro, no centro do concelho, Menezes lamentou a "mentira grosseira" da oposição socialista.
"Quando eu cheguei à câmara, nenhum destes quatro projetos tinha sido entregue uma única casa. Havia um único em construção, que era o de Grijó, que entretanto terminou e essas casas foram entregues. Os outros estavam todos numa situação muito complexa, ainda estão, porque não tinham, em alguns casos, sequer começado e o PRR obrigava a que a construção tivesse terminado em fim de julho sob pena de se perder todo o dinheiro do PRR, que as financiava a 100%", responde.
O social-democrata garante que o executivo municipal "fez os possíveis por acelerar procedimentos", e espera conseguir concluir a construção até ao final de agosto, nova data limite financiada entre governo e Comissão Europeia para a finalização dos projetos da "bazuca".
Menezes desmente ainda que a gestão socialista tenha deixado aprovados 143 milhões de euros para a estratégia de habitação de Vila Nova de Gaia. Num documento da direção financeira da câmara, a que a Renascença teve acesso, pode ler-se que "o montante de financiamento ascende a um total de 54,45 milhões de euros" repartido por seis investimentos, metade deles ainda sob análise.
Menezes promete habitação social e para a classe média
Para lá dos projetos financiados pelo PRR, Luís Filipe Menezes garante que a autarquia está a preparar uma nova estratégia para responder às necessidades de habitação da classe média e dos jovens.
O presidente da Câmara de Gaia admite que o Estado deixou as autarquias “desarmadas”, depois do programa Primeiro Direito, e defende que os municípios têm agora de encontrar soluções próprias.
“As câmaras estão desarmadas neste momento. Só lhes resta ter criatividade”, afirmou.
Menezes diz que Gaia está a negociar com fundos internacionais e empresas privadas uma solução de financiamento que permita lançar os primeiros grandes concursos de habitação para a classe média até ao final do verão, entre finais de agosto e meados de setembro.
O objetivo, garante, é avançar sem criar encargos para a autarquia. A ideia passa por usar terrenos municipais, cedidos em direito de superfície, com cláusula de reversão.
“A qualquer momento a Câmara pode dizer que isto é tudo nosso”, explicou.
O modelo, sublinha Menezes, é diferente do seguido no Porto, onde a autarquia tem feito acordos com privados para garantir um determinado número de casas com rendas pré-definidas.
Em Gaia, a câmara quer manter a propriedade dos terrenos, encontrar financiamento no mercado internacional e responsabilizar-se pelo arrendamento. Segundo o autarca, quando as negociações começaram, o patamar de referência apontava para rendas de cerca de 460 euros por um T2, 560 euros por um T3 e 660 euros por um T4.
A construção modular poderá ajudar a encurtar prazos. Menezes admite que, entre a decisão e a conclusão das casas, seja possível chegar a um prazo de “dois anos e meio”.
Numa primeira fase, a habitação para jovens e estudantes poderá representar entre 400 e 500 fogos.
“Estamos a fazer o nosso trabalho de casa. Penso que vamos conseguir atingir essas metas”, afirmou.
- Noticiário das 22h
- 11 jul, 2026






