"Não correu tudo bem"
Ministro anuncia nova paragem da plataforma de exames e admite compensação para famílias lesadas
07 jul, 2026 - 18:41 • Ricardo Vieira
Fernando Alexandre garante aos alunos e encarregados de educação a "correção rigorosa" dos exames nacionais dos 11.º e 12.º anos. Não vê razão para uma terceira fase de exames e admite a possibilidade de o Estado ressarcir famílias lesadas pela alteração do calendário.
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, confirma que a plataforma eletrónica de correção de exames nacionais do 11.º e 12.º anos vai estar indisponível para manutenção na madrugada de quarta-feira, entre a meia-noite e as 02h00.
"É necessário intervir, para melhorar e otimizar processos e temos a certeza que a correção rigorosa, que garantimos a todos os alunos e encarregados de educação que vamos ter, acontece", disse Fernando Alexandre, em entrevista à CNN Portugal.
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O governante admite que "o digital tem riscos, mas também nos dá as ferramentas para monitorizarmos, para termos a capacidade de avaliar com rigor e com transparência".
"Vamos demonstrar o rigor desta avaliação com a consulta de cada aluno da prova que fez, em formato digital, com as classificações que teve em cada resposta", sublinha o ministro da Educação.
Ministro admite possibilidade de Estado ressarcir famílias lesadas
Fernando Alexandre admite a possibilidade de as famílias que comprovadamente foram prejudicadas pela alteração do calendário de exames possam ser ressarcidas.
“É claro que a alteração do calendário pode afetar alguma família, é possível. Nós procurámos fazer uma alteração marginal", afirma o ministro, que considera que o Estado deve compensar as famílias lesadas.
"Já tive oportunidade de o dizer. Se houver alguma família que demonstre que foi efetivamente [lesada]... porque nesta fase eu acho que é muito difícil, porque não se sabe se o aluno vai à segunda fase ou não. Se demonstrar que, de facto, houve um prejuízo, obviamente o Estado deve ressarcir a família. Não tenho dúvidas nenhumas sobre isso”, declarou.
“É certamente um direito jurídico. Sou sempre pelo respeito da lei. Se há uma surpresa que surpreendeu as famílias, é por um bem maior: garantir a qualidade da avaliação. As notas nunca serão publicadas sem ter essa validação técnica que o digital nos permite e, no final, validadas por cada aluno”, salientou.
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"Não podemos continuar no século XX"
Fernando Alexandre afasta o risco na correção dos exames e garante que o formato digital "traz segurança", porque "traz confiança às pessoas num processo novo".
"É um avanço muito grande. Temos que passar para o digital, não podemos continuar no século XX. Eu sei que há pessoas que continuam paradas no tempo, mas nós temos que avançar, temos que aproveitar o digital, que tem uma força transformadora para a nossa sociedade", sublinha.
O ministro admite que, "infelizmente, não tudo correu bem na forma como foram disponibilizadas as perguntas inicialmente". Houve uma intervenção, "com equipas tecnológicas estão a atuar para otimizar e corrigir os erros" e é nesse contexto que se insere a manutenção da próxima madrugada na plataforma.
"Devíamos, provavelmente, ter feito isto de forma gradual"
Fernando Alexandre "não vê razão" para alterar o calendário da divulgação dos resultados da primeira fase dos exames nacionais, a 17 de julho, que foi mudado por "precaução e respeito aos professores". Mas também refere que as notas só serão divulgadas "quando tivermos a certeza que elas representam aquilo que o aluno fez".
"O que eu posso garantir é que a minha equipa, as equipas do EduQA, do júri nacional de exames em todo o território nacional, os mais de dez mil professores a corrigir exames vão fazer tudo para que seja cumprido", promete.
Nesta entrevista à CNN Portugal, o ministro da Educação fala numa "operação muito complexa", que envolve mais de 300 mil exames e 160 mil alunos.
"Fizemos um ensaio. Idealmente, nós devíamos, provavelmente, ter feito isto de forma gradual. Acreditámos na equipa de que tínhamos condições para fazer... e vamos ter e vamos cumprir", garante.
Ministro da Educação "é uma atividade de alto risco"
O ministro diz que vão tentar identificar o que falhou, para que os problemas não se repitam na correção da segunda fase dos exames nacionais.
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"Aquilo que eu antecipo é que a segunda fase, com toda a aprendizagem que estamos a ter, vai correr muito bem e vai ser exemplar para que no próximo ano se deixe de discutir o digital. Foi isso que aconteceu com as provas ModA. Este ano já ninguém discutiu", argumenta.
Questionado se o seu cargo pode estar em risco, o ministro da Educação responde que "esta é uma atividade de alto risco", mas que está motivado para, juntamente com a sua equipa, tentar melhorar o setor.
"Esta é uma atividade de alto risco, ainda por cima na Educação nós afetamos a vida de milhões de pessoas todos os dias. Por isso, quando eu aceitei este cargo - também já estive dois anos na Administração Interna - são ministérios muito difíceis onde nós estamos muito expostos, mas eu faço isso sempre dando o melhor que sei. Não consigo fazer melhor", declarou.
A Confap defendeu uma terceira fase de exames para os alunos que tenham sido prejudicados. O ministro da Educação diz que "para já não vê razão nenhuma" para esse cenário e mostra disponibilidade para prestar esclarecimentos no Parlamento.
[notícia atualizada às 21h29, de 07/07/2026]
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