Educação
Problema na classificação de exames é "bastante gravoso", diz presidente do CNE
07 jul, 2026 - 21:21 • Fátima Casanova
Para Domingos Fernandes, os sinais que estão a ser dados não são tranquilizadores. Em entrevista à Renascença, o presidente do Conselho Nacional de Educação diz que em três décadas de carreira na área da avaliação nunca se deparou com uma situação tão grave.
Depois de conhecida nova paragem da plataforma de classificação dos exames, o presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Domingos Fernandes, considera que “com estas interrupções na plataforma as pessoas ficam, naturalmente, preocupadas e sem saber exatamente qual é o ponto da situação e para onde é que estamos a caminhar”.
A plataforma onde os professores estão a fazer a classificação digital dos exames do ensino secundário vai voltar a parar, desta vez para “manutenção” a partir da meia-noite, lê-se na mensagem que tem chegado aos docentes. Entre domingo e segunda-feira, a plataforma já tinha ficado indisponível, mas por razões de segurança.
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Para o presidente do CNE, “os sinais não são muito tranquilizadores". "Pelo contrário, lamento dizê-lo, mas precisávamos de mais tranquilidade, precisávamos de sinais mais afirmativos de tranquilidade relativamente a esta matéria”, sublinha.
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Nestas declarações à Renascença, o professor jubilado diz que, em três décadas de carreira na área da avaliação, nunca se deparou com uma situação tão grave. Salienta que acompanhou “ao longo destes 30 anos, os exames e houve problemas aqui e ali, mas nunca houve problemas com esta profundidade”, salientando que “neste momento, o problema com o que se está a lidar é bastante gravoso, é bastante angustiante, porque não sabemos, pelo menos por enquanto, exatamente o que é que se está a passar, o que é que se vai passar e como é que se vai passar”.
Domingos Fernandes reconhece que esta “é uma situação muito incómoda para todos aqueles que têm responsabilidades de vários níveis, é uma situação muito difícil e é uma situação muito complexa”.
Sempre cauteloso nestas declarações à Renascença, o presidente do CNE reconhece que não será fácil ao ministro da Educação dar muito mais explicações e sublinha que Fernando Alexandre “provavelmente não terá toda a informação de que necessita, mas também tenho de admitir que não lhe será, propriamente, muito fácil fazer afirmações, de tranquilização, que sejam bastante claras, numa situação que, eventualmente, ainda não está clarificada”.
Domingos Fernandes lamenta não conhecer “todas as dimensões do problema”, salientando que o Conselho Nacional de Educação “não tem informações para além daquelas que têm vindo a público. No entanto, "aquelas que têm vindo a público e que são, enfim, consolidadas e que têm sido verificadas por diferentes entidades, levam-nos, de facto, a ter uma grande preocupação relativamente a este assunto, porque trata-se de uma situação que, não querendo dramatizar, tem gravidade".
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Exemplo do ano passado "pode não ter sido devidamente ponderado"
Questionado pela Renascença, sobre se terá havido precipitação na generalização da classificação digital, que no ano passado tinha sido aplicada apenas aos exames de Filosofia, Domingos Fernandes admite que, “provavelmente, pode não ter sido devidamente ponderado tudo aquilo que aconteceu no ano passado, tudo aquilo que se aprendeu com a Filosofia”.
Salientando que a “avaliação não é uma ciência exata”, considera que a avaliação feita ao projeto-piloto deveria ter sido “acompanhada sempre de uma ponderação e de uma reflexão aprofundada, porque estamos a lidar com uma questão muito delicada”.
O presidente do CNE também considera que, a todos estes constrangimentos, não será alheio “o ímpeto reformista” no Ministério da Educação, “quando se extinguiram um conjunto de instituições para as substituir por outras, que, quer dizer, em termos de propósitos, até admito que são positivos, mas, naturalmente, tudo isto exige cautelas, e, sobretudo, como já tenho referido, em domínios como este dos exames”.
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“Não arriscaria dizer que os exames devem ser anulados”
O presidente do CNE, questionado sobre o pedido de anulação dos exames feito por um grupo de pais, sublinha que esta hipótese só deveria ser colocada “se tivermos dados absolutamente credíveis e dados incontestáveis que nos mostrem que não há outra solução".
Sublinha, no entanto, que “essa não é, provavelmente, a melhor solução, mas seria a última possibilidade”. Insiste que anular os exames “só se não houvesse realmente nenhuma outra solução mais plausível e que fosse mais ao encontro daquilo que são os legítimos interesses dos alunos para acautelar o ingresso na universidade”.
Já em fim de mandato, Domingos Fernandes acredita que no final de todo este processo, o Conselho Nacional de Educação possa emitir um parecer ou recomendação.
Sublinha que não ficaria surpreendido “que o CNE refletisse com profundidade, estudasse a fundo e produzisse algum documento sobre a forma de parecer ou sobre a forma de recomendação que possa contribuir positivamente para que estas situações não aconteçam mais”.
- Noticiário das 6h
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