Presidenciais
Marcelo, Presidente de manhã e candidato "fortimel" à tarde
19 jan, 2021 - 19:12 • Paula Caeiro Varela
O candidato faz de assessor de imprensa de si próprio e está preocupado com o estado do carro em que faz as ações de campanha.
Marcelo Rebelo de Sousa chegou com ligeiro atraso à única iniciativa de campanha desta terça-feira, marcada para as 13h00: uma visita ao campus da Faculdade de Economia da Nova, em Carcavelos, e uma entrevista com alunos, a que a comunicação social não pôde assistir, mas que o candidato fez questão de resumir no final.
Algumas perguntas "intimistas", disse, mas que afinal deram espaço para que o também Presidente deixasse recados.
Sobre as medidas económicas de resposta à pandemia, por exemplo, Marcelo Rebelo de Sousa fez eco das críticas que mais ouviu na primeira fase, a de que "passa muito tempo entre os anúncios dos apoios e chegarem ao terreno".
E depois, a propósito da chamada bazuca europeia, fez questão de dizer que não gosta da palavra e de contextualizar como o que parece muito dinheiro pode não ser, afinal, suficiente: "Portugal vai receber muito dinheiro" da União Europeia, "40 e tal mil milhões [de euros], 50 e tal mil milhões, conforme os cálculos. Mas sabem em quanto é que já vai a conta da pandemia? 22 mil milhões, e estamos numa fase longe do fim da pandemia", avisou.
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Também respondeu, recorrendo a notas que tomou numa folha, sobre o maior desafio do ano de 2021 além da pandemia: é a pandemia, afirmou, porque não se pode tirar esse fator da crise social e económica, que será tão mais duradoura quanto mais durar a pandemia.
Churchill foi o político que mais o inspirou, "pelo que ganhou e pelo perdeu", o "Ulisses" de James Joyce, um dos livros mais marcantes, O "Leopardo" o filme que veria 10 vezes. E, questionado sobre se compraria um carro a qualquer líder partidário português, afirmou que sim, teria confiança em todos os eles, mas está mais preocupado em vender o seu, que diz que já precisa de ser trocado.
Antes da entrada para a conversa, foi no fato de Presidente que respondeu sobre o reforço "intercalar" de medidas de confinamento, deixando claro que foi uma reação ao sinal que tinha deixado no domingo. "Eu achava que era importante dar um sinal político, e ele surgiu no dia seguinte", disse. E acrescentou que já tinha promulgado o decreto, ao mesmo tempo que a informação, vinda da Presidência da República, caía no telemóvel dos jornalistas.
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Sem pôr de lado a hipótese de suspender a campanha, em resposta à adversária Ana Gomes, Marcelo Rebelo de Sousa, que se apresenta sem assessor de imprensa (só os elementos do corpo de Segurança da PSP o seguem à distância, noutro carro), aproveitou para dar como, habitualmente, a agenda do próximo dia: de manhã, enquanto Presidente terá audiências em Belém, enquanto candidato apenas uma ação numa escola em Lisboa, ao início da tarde, seguindo-se a viagem para o Porto, onde dará uma entrevista ao Porto Canal. Fica a norte até domingo e vota em Celorico, distrito de Braga, onde acabou a campanha presidencial há cinco anos.
As perguntas dos jornalistas terminam, mas a iniciativa de campanha só termina quando o presidente-candidato quiser: seguido pelas câmaras dos repórteres de imagem, abre o carro e procura, de cabeça enfiada no banco de trás, alguma coisa. Sai com o "almoço" na mão: um frasco de Fortimel, um suplemento alimentar que lhe terá sido receitado pelos médicos depois da operação à hérnia e que agora toma "quando não tem tempo de almoçar". Este é de morango, disse, e engoliu, em frente às câmaras, o almoço.
Mais uns minutos e conversa vira de novo para o carro, que foi comprado em regime de ALD (aluguer de longa duração) e que o candidato acha que tem de ser substituído. "Mas isso são logo mais 400 euros por mês", pelo que remata: se for reeleito, o carro vai ter de durar mais uns anos.
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