Manifestação contra a eutanásia. "Não há uma boa lei para um ato mau"
01 jun, 2022 - 12:55 • Ângela Roque
Federação Portuguesa pela Vida divulgou manifesto-convocatória para manifestação contra a eutanásia, dia 9 de unho, frente ao Parlamento. À Renascença, José Maria Seabra Duque não poupa críticas ao PS e ao Bloco de Esquerda por insistirem em legislar contra todos os pareceres negativos dos especialistas.
O Parlamento vota na próxima semana, na generalidade, os projetos de lei do PS e do Bloco de Esquerda para a legalização da eutanásia, mas no exterior da Assembleia da República haverá uma “manifestação silenciosa”. É uma iniciativa da Federação Portuguesa pela Vida (FPV), que esta quarta-feira divulgou um manifesto a convocar o protesto.
À Renascença, José Maria Seabra Duque, da FPV, lamenta que os partidos insistam em legislar numa matéria em relação à qual não receberam um único parecer positivo.
“Nos últimos seis anos todos os órgãos públicos ouvidos pela Assembleia da República deram pareceres negativos sobre os diversos projetos-lei apresentados; a Ordem dos Médicos, a Ordem dos Advogados, a Ordem dos Enfermeiros, o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, todos foram ouvidos e foram absolutamente ignorados. O Tribunal Constitucional chumbou esta lei e foi ignorado - porque aquilo que foi feito a seguir não vai ao encontro do que o TC disse -, o Presidente da República vetou esta lei e foi também ele próprio ignorado. Portanto, já percebemos que os senhores deputados não estão dispostos a ouvir ninguém”, refere aquele responsável.
Seabra Duque recorda, ainda, que “o projeto do Bloco de Esquerda é o 12º projeto de lei sobre este assunto, o do Partido Socialista é o 13º”, e que “ao fim de 13 tentativas, todas elas falhadas, podiam chegar à conclusão de que, de facto, não há uma boa lei da eutanásia”.
“É a conclusão lógica: não há uma boa lei para um ato mau, mas são absolutamente surdos a este clamor, e já percebemos que irão apresentar até conseguirem aquilo que querem, independentemente daquilo que querem ser bom ou ser mau”, sublinha.
Eutanásia. Bancada do PS vai manter liberdade de voto
Diplomas com discussão e votação agendadas para 9 (...)
“A lei será aprovada, pela simples razão que a Dra Isabel Moreira e a Catarina Martins decidiram que isto tem de ser lei", acrescenta o jurista, que espera que muitos se juntem na manifestação do próximo dia 9 de junho, para mostrar indignação pela aprovação de um diploma por razões meramente ideológicas.
“O Partido Socialista e o BE querem esta lei, haja o que houver. Querem esta lei contra o parecer e a vontade dos especialistas, contra a vontade da sociedade, e não têm problema nenhum em impô-la. Por isso, nós fazemos aquilo que nos sobra fazer, que é estar diante da Assembleia da República afirmando que há aqui um ‘silêncio de morte’, porque isto é feito mais uma vez à pressa. O projeto de lei do Partido Socialista não teve qualquer tipo de audiências e pareceres e vai ser votado na mesma”.
“Já percebemos que o PS e o Bloco de Esquerda não querem um debate sobre este assunto, não querem ouvir os especialistas, não querem ouvir ninguém, querem silenciosamente e rapidamente impôr a sua agenda ideológica”, conclui.
Hora da Verdade
Eutanásia. Menezes Leitão quer Marcelo a pedir fiscalização preventiva ao TC
Para o bastonário da Ordem dos Advogados, o Presid(...)
A manifestação contra está marcada para dia 9, frente ao parlamento, onde vão ser debatido e votados na generalidade , os projetos de lei do PS e do Bloco de Esquerda para a legalização da eutanásia. Para mais tarde deverão ficar os dois projetos de lei do Chega, um deles a propor a realização de um referendo sobre a matéria.
Para a véspera da manifestação – dia 8, à noite – estão a ser organizadas vigílias nas várias capitais de distrito. Para já estão confirmadas em Braga, Viseu, Aveiro, Coimbra e Lisboa.
O Assembleia da República vai debater no dia 9 de junho os novos projetos de lei sobre a morte medicamente assistida, na sequência de um agendamento potestativo do PS
O projeto de lei do PS, apresentado no início do mês, propõe a despenalização da morte medicamente assistida em situações de "lesão definitiva de gravidade extrema" e "doença grave e incurável", deixando cair a exigência de "doença fatal".
Também o BE, no primeiro dia da XV legislatura apresentou o seu projeto de lei, no qual utiliza a mesma expressão, "doença grave e incurável". O PAN já fez saber que vai avançar com uma iniciativa própria e que concorda com este critério.
Na anterior legislatura, a despenalização em certas condições da morte medicamente assistida, alterando o Código Penal, reuniu maioria alargada no parlamento, mas esbarrou no Tribunal Constitucional, na sequência de um pedido de fiscalização do Presidente da República, e depois num veto político.
- Noticiário das 17h
- 14 jun, 2026










