Análise
O melhor e o pior do debate Pedro Nuno Santos vs. Luís Montenegro
01 mai, 2025 - 00:54 • Filipa Ribeiro
Frente a frente entre líderes do PS e da AD marcado pelo apagão e caso da empresa familiar de Luís Montenegro, e alguns ataques pessoais.
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Helena Pereira, editora-executiva do jornal Público, faz o rescaldo do debate televisivo entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos, para as eleições legislativas de 18 de maio.
O debate ficou marcado pelo apagão e pelo caso Spinumviva. Como viu a discussão sobre a empresa familiar do primeiro-ministro e o facto de Luís Montenegro ter divulgado mais sete clientes horas antes deste debate?
Acho que o caso Spinumviva marcou muito este debate, já se previa que assim fosse porque era uma questão importante para o PS. Creio que Pedro Nuno Santos o fez de uma forma eficaz, uma eficácia que Pedro Nuno Santos não teve ao longo de todo debate, mas ele, neste caso particular, estava bem preparado e expôs as várias debilidades das explicações de Luís Montenegro, até ao momento. E o impressionante é que do lado de Luís Montenegro, ele não procurou rebater cada uma das acusações.
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Luís Montenegro, mais do que tentar rebater as acusações, claramente preferiu entrar por uma via da vitimização na questão do Spinumviva, quase dizendo que era uma jogada baixa o PS querer chamar familiares seus a uma comissão parlamentar de inquérito, quando isso não estava em causa, como Pedro Nuno Santos já tinha explicado.
Mesmo na forma como Pedro Nuno Santos explicou o potencial conflito de interesses com a Solverde, por causa do prolongamento ou não da concessão dos casinos, que é bem preparado para explicar isso, fiquei surpreendida por Luís Montenegro também não explicar. Podia ter dito que ia haver um concurso internacional até o final do ano, podia ter explicado o que é que ia fazer de modo a afastar qualquer dúvida sobre eventual favorecimento da Solverde e não, não fez isso.
Legislativas 2025
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Nessa parte da Spinumviva, mesmo a questão da declaração de interesses, quando o Pedro Nuno Santos diz que é gozar com quem trabalha, ele está a referir-se ao facto de, na véspera do debate, o primeiro-ministro e líder do PSD ter entregue, ter corrigido ou ter acrescentado à sua declaração de interesses realmente quem eram os outros clientes que faltava conhecer.
Luís Montenegro disse que não foi ele a transmitir a notícia ou informar o Expresso que deu a notícia hoje [quarta-feira], mas de qualquer forma vê-se que há aqui uma intenção, porque foi na véspera do debate que entendeu fazer algo que o PS há dois meses tem vindo a chamar a atenção e que tem vindo a insistir.
Nesse sentido, esperava-se que a Spinumviva fosse uma questão central do debate e foi e fiquei surpreendida com o facto de Luís Montenegro achar que a estratégia de vitimização, por si, só resolve todas as dúvidas sobre o caso Spinumviva.
Em relação ao tema do apagão elétrico, como foi a prestação de Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro?
Pedro Nuno Santos tentou ser o mais racional possível, não falar só da questão da falta de comunicação, mas do alerta laranja que só foi dado às 19h30, o SMS que só entenderam que era importante enviar às 17h15, quando já não havia telecomunicações a funcionar, ou o alerta também para as redes de postos de combustíveis.
Nessa parte, acho que Pedro Nuno Santos esforçou-se, embora como o desfecho deste caso do apagão não foi dramático de modo nenhum, eu acho que isto, por si só, não constituía um problema para o Governo ou um problema para as pessoas ou para o eleitorado ou para as preocupações, a par com outras preocupações que o eleitorado, quando olha para dois candidatos a primeiro-ministro, tem.
Quanto aos outros temas que importam aos portugueses, foi um debate esclarecedor?
Foi, mas eu tenho aqui duas ou três notas que gostava de partilhar. Acho que Pedro Nuno Santos não esteve nada bem na parte das pensões, que é uma questão muito importante para as pessoas e é muito importante para o eleitorado PS, porque o PS é o partido que colhe mais votos nas pessoas mais idosas e, portanto, Pedro Nuno Santos acenou com um medo da AD ir privatizar a Segurança Social por ter um grupo de trabalho que vai estudar essa possível privatização, quando isso não faz parte sequer do caderno de encargos da AD nestas eleições legislativas.
Eu percebo que Pedro Nuno Santos tenha querido dramatizar ou falar para uma parte do eleitorado que recebe bem o discurso do PS, mas achei que Pedro Nuno Santos exagerou.
Considero que outra parte interessante e, aí, foi o Luís Montenegro que ficou aquém, foi na parte da economia e quando foi confrontado com um crescimento de 2,4% do PIB para o próximo ano, que o PS diz que é irreal e até o Banco de Portugal já vem alertar para que com o efeito das tarifas impostas pela administração de Trump vão ter efeito em toda a Europa e também em Portugal e, portanto, no fundo de todos os agentes políticos nesta altura, ou todos os candidatos, a AD é aquela que tem uma visão mais otimista sobre qual é que pode ser o crescimento do próximo ano e Luís Montenegro fugiu muito nessa questão, tanto quando confrontado com pelo líder do PS, tanto pelos próprios jornalistas. Estava também na expectativa de que o primeiro-ministro sobre esse assunto, que eu acho que é um assunto determinante, pensei que Luís Montenegro tivesse já, no fundo, burilado o seu pensamento sobre isto e não só fugir da questão, porque eu acho que isto é uma questão que se vai colocar, como disse, nos próximos tempos, no nosso dia-a-dia.
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