Debate Legislativas 2025
Luís Montenegro "otimista", Pedro Nuno Santos diz que "não dá para celebrar queda da nossa economia"
05 mai, 2025 - 01:42 • Ricardo Vieira , João Pedro Quesado
Dados do PIB no primeiro trimestre do ano em destaque no debate entre oito líderes de partidos com assento parlamentar, na RTP, antes do Debate das Rádios, marcado para esta segunda-feira.
O líder da AD, Luís Montenegro, mantém o otimismo e as metas macroeconómicas apesar do abrandamento da economia portuguesa no primeiro trimestre do ano. O socialista Pedro Nuno Santos diz que esta foi outra área onde o atual Governo falhou.
O tema surgiu na parte final do debate deste domingo, na RTP, entre os oito líderes com assento parlamentar e candidatos às eleições legislativas de 18 de maio.
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Luís Montenegro foi confrontado com os últimos dados do INE, segundo os quais no primeiro trimestre de 2025 o Produto Interno Bruto cresceu 1,6% em termos homólogos e diminuiu 0,5% em relação ao último trimestre de 2024.
O primeiro-ministro sublinha que a economia não entrou em contração no primeiro trimestre, cresceu 1,6% em relação ao período homólogo, e compara com um último trimestre de 2024 que teve um crescimento muitíssimo elevado”, sem “paralelo desde que entrámos no euro, à exceção da pandemia”.
O programa da AD prevê um excedente no final de 2025 e Montenegro não altera a meta: “Estamos num bom momento da economia portuguesa, temos estabilidade económica e financeira e temos todas as razões para continuar a ter um ano em que se perspetiva que possamos chegar ao final com todas as nossas estimativas cumpridas”.
Com a instabilidade mundial provocada pelas tarifas de Trump, o primeiro-ministro diz que é preciso ser prudente, mas também ambicioso.
“Quando propomos baixar o IRS em 500 milhões este ano, estamos a valorizar e a estimular o trabalho. Quando propomos cumprir o que está no Orçamento para motivar o investimento das empresas, estamos a criar condições para poder ter mais investimento e chegar ao final do ano com um desempenho como tivemos o ano passado”, sublinha.
O líder da AD mantém “o otimismo apesar de estar bem consciente das incertezas e ameaças que a situação internacional acarreta” e considera que o investimento em Defesa é “crucial”.
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Economia. “Outra área em que Montenegro falhou"
Já o secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, olha para os resultados recentes da economia “com preocupação”.
“É outra área em que Montenegro falhou. No último trimestre da sua governação a economia portuguesa recuou 0,5%. Este é o resultado que Montenegro nos deixa. Não dá para celebrarmos uma situação económica quando o primeiro trimestre é de queda da nossa economia”, alerta.
O líder socialista considera que o “crescimento económico para 2025 já vai ter que ser revisto em baixa, porque ninguém contava com uma contração no primeiro trimestre”. Este cenário, afirma, “torna o programa da AD que já era uma fantasia numa impossibilidade completa de ser executado, é uma mentira o cenário macro do programa eleitoral da AD”.
Em contrapartida, Pedro Nuno Santos defende que o programa do PS “prepara o país para um clima de incerteza e de aumento da inflação em caso de guerra comercial”, com medidas como o IVA zero no cabaz alimentar e IVA a 6% na eletricidade.
Montenegro respondeu às críticas socialistas: "A sua cassete era a mesma o ano passado, e no ano passado superamos todas as metas".
"Duas coisas dramáticas"
Por seu lado, André Ventura defende que o cenário macroeconómico do Chega "é mais próximo do Conselho de Finanças Públicas", enquanto o do PSD "é uma fantasia" e o do PS "saca a toda a gente para distribuir".
"A economia contraiu no último trimestre e pagamos uma carga fiscal recorde. Duas coisas dramáticas. A economia contraiu, ficamos pior com Montenegro, e pagamos mais impostos. Não podemos sugar as pessoas de tudo o que é o seu trabalho e rendimento para distribuir por todos", afirma o líder do Chega.
Bloco de Esquerda, CDU e Livre consideram que é necessário alterar o atual modelo económico de Portugal, baseado em baixos salários, turismo de massa e numa "bolha imobiliária".
Rui Rocha, da Iniciativa Liberal (IL), afirma que o atual momento "implica que tenhamos de acelerar o que temos a fazer para acelerar o crescimento económico".
É preciso medidas para atacar o desemprego jovem, os salários baixos e as dificuldades no acesso a habitação, bem como um alívio fiscal para a "geração dos entalados", entre 36 e 66 anos de idade.
Inês Sousa Real considera que o braço de ferro entre Donald Trump e a União Europeia, por causa das taxas alfandegárias, pode colocar em risco vários setores do nosso país e defende uma "forte aposta na economia verde", na soberania energética e menos dependência alimentar.
Depois do debate na RTP, para esta segunda-feira, às 9h30, realiza-se o Debate das Rádios, na Renascença, Antena 1, TSF e Observador, com os candidatos dos partidos com assento parlamentar.
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