Legislativas 2025
IL numa feira deserta, com farpas à AD e elogios a Passos Coelho
06 mai, 2025 - 19:10 • Filipa Ribeiro
A Iniciativa Liberal esteve em Viseu apesar de reconhecer que "é mais fácil eleger noutros pontos do país". Rui Rocha foi ao interior criticar a gestão feita pelo Governo de Luís Montenegro no dia em que Pedro Passos Coelho pediu mais reformismo - uma das bandeiras dos liberais.
A Iniciativa Liberal (IL) foi a Viseu e, ao terceiro dia de campanha, o presidente do partido alargou as críticas a partidos de direita, principalmente a Luís Montenegro que "não vê o país real".
Os liberais estiveram esta terça-feira naquele que será o ponto mais no interior do país previsto na agenda de campanha e optaram por começar na feira semanal de Viseu.
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Numa hora já tardia para se visitar uma feira, o presidente do partido não encontrou muitos eleitores, mas ainda mal tinha entrado e já era "apertado" por um António Costa que lhe pediu que se juntasse à AD no dia seguinte às eleições. "O povo está com Luís Montenegro e ele vai ganhar. Faça uma coligação com ele para limpar a esquerda", pediu o vendedor numa das bancas de enchidos logo à entrada da feira.
Na resposta, Rui Rocha repetiu o que já tinha dito no dia anterior em Lisboa: que o partido "fará coligação com os portugueses sabendo interpretar os interesses dos portugueses".
Enquanto se avança na campanha, o presidente dos liberais é cada vez mais pressionado sobre o assunto e a vontade de vir a fazer parte de um Governo à direita. No entanto, sem nunca se descair, confirma apenas que "não houve nenhuma conversa sobre o assunto" com a AD.
A novidade ao terceiro dia de campanha é a de que, no leque de críticas à oposição, o presidente da IL não se esquecer da coligação AD que formou Governo e do primeiro-ministro Luís Montenegro. Questionado sobre os resultados da economia nos primeiros meses do ano, Rui Rocha defendeu que Montenegro "não vê o país real", desde logo na saúde assim como na economia.
"Luís Montenegro às vezes dispara da realidade. Sempre dissemos que com a falta de ambição das propostas da AD a economia nunca iria crescer como a AD previa e aí está o resultado", disse.
A crítica foi lançada de manhã ainda sem previsão do aviso que seria deixado por Pedro Passos Coelho. Já durante a tarde numa ação de campanha numa empresa da indústria têxtil, Rui Rocha viu o aviso deixado pelo antigo primeiro-ministro, que pediu mais reformismo à AD. O apelo pareceu "justo" na opinião do presidente da IL, que considerou "relevante que Passos Coelho identifique duas questões onde a AD falhou: a estabilidade e o reformismo".
Depois de dias, semanas e anos a defender uma reforma do país, Rui Rocha realçou que "a marca" da IL "é precisamente o ímpeto reformista e a capacidade de olhar para as áreas para onde a AD não foi capaz de olhar no país".
Aproveitando a presença em Viseu, o representante dos liberais deu como exemplos a gestão do SNS e a ferrovia como algumas das falhas no país.
Já durante a manhã, aos jornalistas, Rui Rocha foi claro a defender, desde logo, uma reforma na Constituição, para "reforçar" a legislação sobre a propriedade e sobre os "ocupas". O liberal quer "a penalização e a criminalização" de situações que não estão no Código Penal e o agravamento das que estão já abrangidas sobre as "ocupações de propriedades". Defende ainda um reforço "para que as políticas possam devolver as propriedades aos seus donos".
Rui Rocha não quis colocar um objetivo de número de deputados a eleger e reconheceu "ser mais fácil eleger noutros locais do país" do que em Viseu, o que acaba por ser percetível no pulso medido na feira local.
Quando a comitiva liberal entrou na feira já a maioria dos comerciantes começava a arrumar a banca. À Renascença, Tânica Gomes - vendedora de doces - confessou estar surpreendida por ver Rui Rocha ali àquela hora. Reconheceu-o da televisão, mas quando questionada disse que não sabia o nome. "Conheço-o de vista, agora o nome não sei", disse.
Pelo caminho também Margarida Fernandes ficou desiludida pela falta de atenção que os liberais lhe deram. Atrás de uma banca com roupa para criança, Margarida - sem receio - disse bem alto: "eu nem sei quem é que vocês são! Na altura de campanha ele nem nos liga", afirmou e acabou por questionar: "onde é que está o vosso capataz". Margarida acabou sem respostas.
Opinião diferente tem David Carvalho, de 81 anos, que foi ter com Rui Rocha para lhe elogiar a campanha. Gosta da campanha "sem ofensas e muito esclarecedora".
O presidente da Iniciativa Liberal foi sendo reconhecido por alguns, mas quase todos não sabiam quem era o empresário João Antas de Barros, o número 1 pela lista de Viseu.
Pelo caminho, Rui Rocha comprou um queijo e pensou em levar "cenouras para dar vitamina à esquerda" que considera estar "derrotada".
- Noticiário das 17h
- 20 mai, 2026







