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Legislativas 2025

​Lágrimas no Couço. “Temos obrigação de honrar a memória”

06 mai, 2025 - 01:08 • Cristina Nascimento

Depois do debate da rádio, o secretário-geral do PCP foi picar o ponto a um lugar de passagem obrigatória durante as campanhas – a aldeia do Couço, conhecida como a “aldeia vermelha”.

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Conhecida como “aldeia vermelha”, o Couço, em Coruche, distrito de Santarém é terra onde as memórias do passado vivem-se com lágrimas presentes.

Paulo Raimundo ainda nem era nascido no 25 de abril, mas sabe ligar-se a quem enfrentou os tempos da resistência ao regime de Salazar. Quando o secretário-geral chegou para o almoço na Casa do Povo do Couço foi, como não raras vezes acontece, cumprimentar as gentes que, nas cozinhas (mais ou menos) improvisadas, prepararam a refeição.

Raimundo encontrou meia-dúzia de senhoras já com mais idade que tinham tudo pronto para servir o almoço – sopa com legumes de uma horta local e carne de porco à portuguesa. Beijinhos à direita, beijinhos à esquerda e logo uma senhora emociona-se e larga em lágrimas. Recorda o marido, “um grande comunista”. Raimundo abraça a senhora e consola-a como pode e segue para o seu lugar na mesa principal.

Quando toma a palavra, Raimundo alude a esse passado. “Como sabem, sou secretário-geral não é assim há tanto tempo… O ano passado em campanha aqui estivemos e em anteriores campanhas acompanhei quer o camarada Jerónimo [de Sousa], tive o privilégio de acompanhar o [Carlos] Carvalhas também em outras iniciativas, passando aqui no Couço… Não tive esse privilégio de acompanhar o Álvaro [Cunhal] aqui no Couço, mas ele esteve cá”, começa por dizer, como quem explica que há uma gratidão dos secretários-gerais para com aquele povo.

“O facto de virmos ao Couço em campanha eleitoral é porque também temos a obrigação de honrar essa memória e essa história”, acrescenta.

À sua frente estão mais de 100 pessoas, maioritariamente reformados, que durante quase meia hora escutam atentamente Raimundo. Uma delas é Maria Antónia Sabino, acompanhada do marido, sentado numa cadeira de rodas.

Maria Antónia, 70 anos, sempre passados no Couço, diz que o discurso de Paulo Raimundo foi “muito bom”.

Questionada sobre o que mudou na terra em sete décadas, responde que “pouco”. “Quando eles entraram [na altura da revolução] mudou alguma coisa, mas nos últimos anos… nada”.

Raimundo não fica muito mais tempo. Segue a caravana da CDU e ficam os da terra a acabar de arrumar a Casa do Povo.

Não se sabe quando serão as próximas legislativas, mas será praticamente certo que o secretário-geral do PCP ao Couço voltará.

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