Legislativas 2025
Mortágua passa a manhã com empregadas domésticas. “Somos a base do mundo”
06 mai, 2025 - 16:30 • Isabel Pacheco
Mariana Mortágua acompanhou, esta terça-feira, a rotina madrugadora das trabalhadoras domésticas em Lisboa para pedir mais e melhores condições para quem trabalha por turnos.
Adelina Fortes, de 62 anos, é trabalhadora doméstica em Lisboa. Vive na Amadora. Acorda todos os dias às 4h30 da manhã para apanhar três autocarros para chegar aos diferentes locais de trabalho, todos na capital. Chega a casa às 9h da noite. Ainda assim, o dinheiro é “sempre pouco”, conta Adelina, que de divide o dia de trabalho entre uma empresa de serviços e a “patroa”.
“Vou trabalhar a esta hora [5h30], chego a fim do mês e recebo 300 e tal euros. Não há dinheiro. E se a gente faltar ou chegar 2 minutos atrasada desconta por minuto”, lamenta Adelina.
Jornada de trabalho semelhante é a de Fernanda dos Santos. Aos 48 anos, a cabo-verdiana, mãe de dois filhos, sonha em ser cozinheira, mas confessa que o salário a rondar os 800 euros não lhe permite pagar a formação. Resta-lhe, por enquanto, o trabalho doméstico que diz ser a “base do mundo”.
“Nós, as empregadas domésticas, somos a base do mundo porque sem limpeza não há vocês. Não há Assembleia, não há o primeiro-ministro, ninguém tem a limpeza”, sublinha com orgulho.
Viagem no 711, que parte da Damaia rumo à Igreja de Benfica
Adelina e Fernanda partilham horários e o autocarro, o 711, que parte da Damaia rumo à Igreja de Benfica e onde, esta terça-feira, tiveram a companhia de Mariana Mortágua.
A líder do Bloco de Esquerda entrou no autocarro, ainda, de madrugada para chamar atenção para o Portugal invisível” que “ninguém vê e que se levanta antes de toda a gente”, sublinhou Mariana Mortágua, referindo-se aos trabalhadores por turnos, entre elas, as empregadas domésticas.
“Esta certamente será a mulher com mais mérito da economia portuguesa e, nem por isso, deixa de ganhar o salário mínimo nacional e de, muitas vezes, ter de trabalhar para lá da reforma para se sustentar”, apontou.
Durante a viagem, Mariana cruzou-se com Iolanda Monteiro, também, ela empregada doméstica. No colo levava a marmita, a que chamou de “tacho”, para mais um dia que será longo.
“Vocês [políticos] têm um tacho no Parlamento. O meu está aqui. Levo o meu pequeno-almoço, as minhas frutas, porque eu só chego às nove e tal da noite a casa”, contou Iolanda dirigindo-se à líder bloquista.
“Nós que acordamos muito cedo devíamos ter um bom ordenado, vocês na Assembleia só gritam “viva”, e ganham mais do que eu”, atirou a cabo-verdiana lembrando que, esta quarta-feira, há de novo greve na CP e que, no caso das trabalhadoras domésticas, não há forma de ir trabalhar. “Não podemos fazer teletrabalho com pá e vassoura”, atirou.
Apesar da companhia pela viagem, Mariana Mortágua não convenceu Iolanda. O voto da cabo-verdiana está, há muito, decidido. “Voto sempre PS. É Pedro Nuno Santos”.
- Noticiário das 5h
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