Legislativas 2025
"Imagens de feiras e arruadas não dizem nada", diz Catarina Martins
12 mai, 2025 - 18:46 • Isabel Pacheco
A antiga coordenadora do Bloco de Esquerda sai em defesa da campanha “real” do partido, confiante em voltar a conseguir “o impensável”.
Há quem diga que é corajosa e inovadora. Para outros arriscada.
A campanha eleitoral do Bloco de Esquerda (BE) tem fugido às regras do modelo a que os partidos políticos habituaram os portugueses e não deixa de ser assunto, mesmo dentro da própria campanha.
Mariana Mortágua já se tinha pronunciado. No arranque da segunda semana de estrada foi a vez de Catarina Martins vir a terreno defender o que diz ser uma campanha que vai ao encontro das “lutas concretas”.
“Todos nós sabemos que aquelas imagens da feira e das arruadas, a partir de certa altura, não significam nada. São bolhas de proteção em que só os militantes do partido é que estão”, começou por admitir a antiga coordenadora do BE, à margem de uma ação de campanha, esta segunda-feira, em Loulé, onde a líder bloquista se encontrou com um movimento de moradores em risco de perderem suas casas.
"São as lutas reais do país. Isso é muito forte”
“Acho muito mais interessante que seja possível o BE fazer porta a porta ou que a Mariana vá ter com as pessoas que estão em determinadas lutas”. Porque isso, acrescentou, “é real e são as lutas reais do país. Isso é muito forte”.
Mas se há menos rua, há mais redes sociais. As plataformas digitais têm sido uma das apostas do partido que se tem multiplicado em mensagens dirigidas, sobretudo, aos mais jovens.
Há vídeos no Instagram com, por exemplo, o cabeça de lista do Braga, Francisco Louçã a explicar o bê-á-bá do capitalismo ou Fernando Rosas, outro dos fundadores do partido e cabeça de lista por Leiria, num curto videoclip com a música eletrónica como pano de fundo.
A eurodeputada garante que “está a resultar”. “Há bastante gente nova a aproximar-se da campanha. É uma das “novas formas dos conteúdos políticos chegarem” ao eleitorado, explicou.
A mudança justifica-se com o atual “desafio da esquerda a nível internacional”, apontou Catarina Martins que elogia decisão da líder, Mariana Mortágua. “Uma coisa que eu sei: há um partido de esquerda em Portugal que percebeu que estávamos a viver um momento diferente e que decidiu fazer uma campanha diferente. Esse partido é o BE”, rematou.
E se as sondagens levantam dúvidas sobre a eficácia da campanha, Catarina Martins desvaloriza.
“Sondagens há para todos os gostos. Houve sondagens que diziam uma coisa num dia, no dia seguinte o resultado foi outro”, assinalou a antiga líder bloquista confiante que, à semelhança do que aconteceu há 10 anos, também a 18 de maio, o BE pode “conseguir o impensável”.
“ Só sei que não há nenhum impossível antes dos votos contados.” O BE vai ser sempre a força “que vira o jogo”, rematou Catarina Martins.
- Noticiário das 7h
- 15 mai, 2026








