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Mortalidade infantil sobe 20% em 2024. Ministra aponta falta de investimento, oposição critica Governo

12 mai, 2025 - 23:25 • Fábio Monteiro com Lusa

A taxa de mortalidade infantil aumentou 20% em 2024, atingindo os 3,0 óbitos por mil nados-vivos. Governo e oposição divergem nas explicações para os dados.

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A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, defendeu esta segunda-feira que o aumento da mortalidade infantil está mais relacionado com a redução do investimento na área materno-infantil nos últimos anos do que com o encerramento de urgências de ginecologia e obstetrícia em 2024.

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“Ninguém pode dizer hoje que não está relacionado, mais do que com as urgências [encerradas], com a diminuição, nos últimos anos, daquilo que tem sido o investimento que precisamos de fazer, concretamente, no sistema público, na área materno-infantil”, afirmou a ministra, à margem de um evento em Vila Real.

Apesar de admitir que “urgências fechadas ou intermitentes não são uma boa resposta”, Ana Paula Martins garantiu que o Governo já está a agir, com o reforço das equipas materno-infantis em Lisboa e Vale do Tejo, nomeadamente na Península de Setúbal, região com a taxa mais elevada do país.

Segundo dados do INE, avançados pelo "Correio da Manhã" esta segunda-feira, registaram-se em 2024 252 mortes de crianças com menos de um ano, mais 42 do que no ano anterior, elevando a taxa de mortalidade infantil para 3,0 por mil nados-vivos (2,5 em 2023).

A ministra avançou ainda que está em curso uma análise “caso a caso” dos óbitos registados, para esclarecer as causas clínicas associadas, incluindo comorbilidades e vigilância insuficiente no primeiro trimestre das gravidezes.

Oposição exige respostas e investigação independente

O aumento da mortalidade infantil foi duramente criticado pelos partidos da oposição, que acusam o Governo de falta de responsabilidade e exigem medidas urgentes.

O secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, mostrou-se “muito preocupado” e acusou a ministra da Saúde de nunca assumir responsabilidades: “Esta senhora ministra nunca foi capaz de dizer: sim, aqui falhámos”, afirmou, classificando o executivo como “não credível nem sério”.

O líder do PCP, Paulo Raimundo, declarou que os dados revelam “um país a andar para trás” e responsabilizou o Governo por uma regressão nos direitos das crianças e na qualidade de vida. Defendeu ainda o reforço do SNS como prioridade.

Já Rui Rocha, da Iniciativa Liberal, pediu uma investigação rigorosa às causas do aumento, sublinhando que é necessário apurar se houve impacto direto do encerramento das urgências e da falta de médicos de família. Apesar de rejeitar “fazer política e demagogia” com o tema, considerou os números “preocupantes” e “indesejáveis”.

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