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Legislativas 2025

“Ninguém é feliz sozinho”, avisa Louçã

14 mai, 2025 - 13:00 • Isabel Pacheco

BE cola PS à AD e alerta para o perigo de Pedro Nuno Santos vir a viabilizar um governo liderado por Montenegro. Em Braga, Francisco Louçã admite querer roubar o lugar na Assembleia a Rui Rocha.

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E quando não se vislumbra outro cenário que não passe por entendimentos entre os partidos após 18 de maio, o Bloco de Esquerda (BE) vinca a diferença entre as esquerdas e alerta para o perigo do voto no PS virar ao centro.

O aviso chegou por Francisco Louçã. O fundador do partido e cabeça de lista por Braga encheu o pequeno auditório do Theatro Circo para falar, diretamente, ao eleitorado indeciso do PS.

“O voto no Partido Socialista não garante um governo do Partido Socialista. Pensem nisto”, pediu Louçã explicando que “ninguém sabe o que é um Governo do Partido Socialista. Alguém aqui pode dizer o que é que o Partido Socialista pensa sobre a imigração?”, questionou.

As dúvidas sobre o rumo do PS levam Louçã acreditar que, afinal, há mais semelhanças do que diferenças entre Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro, “o senhor feliz e o senhor contente” destas eleições, ironizou.

“Isto faz-me lembrar aquele sketch do Herman José, o do senhor feliz e do senhor contente em que, neste caso, haveria alguém que dizia: eu nunca mudarei nada na habitação. O outro diria: vossa excelência tenha a garantia de que não mudarei nunca nada na habitação. E responderá ao outro: mas, pelo contrário, eu mudarei, ainda, menos na habitação”.

E perante este cenário, Louçã insistiu: “Quem vota no Partido Socialista quer mesmo que haja um governo da AD apoiado pelo Partido Socialista? Quer mesmo?”

O discurso do fundador bloquista ao colar PS e AD marca, nesta reta final de campanha, uma nova tónica na narrativa do Bloco que já entendeu que o pós 18 de maio vai ter de passar pela mesa de negociações.

“Seja qual for o entendimento, seja qual for a conversa, seja qual for o acordo. E essa conversa, haverá porque não vai haver maioria absolutas. (…) Os partidos estão condenados a entenderem-se”, admitia a coordenadora do partido, Mariana Mortágua à margem de uma ação de campanha na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, em Lisboa defendendo o voto o BE como a “garantia que esse diálogo é feito em torno da questão mais importante de todas que é hoje ter uma casa para morar”.

Rejeitando a ideia defendida nesta campanha pelo porta-voz do Livre, Rui Tavares de uma “esquerda enfraquecida”, Mariana Mortágua lembrou que quem quer ir para o parlamento tem de dizer ao que vem e esclarecer o programa. “Uma discussão de cenários em vez de uma discussão de propostas, é errado”, alertou. “Desmobiliza e é, por isso, que queremos falar sobre as propostas”.

Mas, seja qual for o cenário após as eleições, uma coisa é certa para Francisco Louçã que, em Braga naquela que foi ação de campanha que mais pessoas mobilizou, admitia que “ninguém é feliz, sozinho. Aprendi que ninguém é feliz, sozinho”.

“Tirar um deputado ao Chega e à AD? Apetece-nos muito”

Sem, para já, apontar uma meta concreta para estas legislativas, Mariana Mortágua recusa fatalismos e garante que não está em causa a “sobrevivência” do partido.

“Acho que não está em causa nem a sobrevivência, nem o futuro do Bloco. O Bloco chegou para transformar a política em Portugal e mostra que é capaz de o fazer em todas as campanhas e perante todos os desafios”, sublinhava a bloquista durante uma iniciativa em Lisboa para, logo, recordar que esta é uma campanha diferente em que “juntamos gerações”.

As figuras de uma outra geração do partido como Luís Fazenda, por Aveiro, Fernando Rosas, por Leiria e Francisco Louçã, por Braga, são os trunfos do partido que aposta em alargar o grupo paramentar, desde 2022, reduzido de 19 para 5 deputados.

O distrito de Braga é uma espécie de bandeira estandarte desse desafio. O candidato mudou-se de Lisboa para a capital do Minho para travar uma luta direta com a direita.

“Tirar um deputado ao Chega e à AD? Apetece-nos muito”, confessava o candidato no comício em formato de talk-show, a que o BE nos habituou nesta campanha, no Theatro Circo. Para logo depois ir um mais longe e admitir que o objetivo será também tirar votos aos liberais que tem como número pelo distrito, o líder Rui Rocha.

“Acho que esta história da luta pela liberdade. Pode e deve dar ao Bloco de Esquerda em Braga mais votos do que à Iniciativa Liberal”.

Esta quarta-feira, o Bloco de Esquerda regressa aos comícios políticos com outro dos fundadores do partido, Luís Fazenda, em Aveiro.

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